A filha de Roriz pode até perder o mandato e amargar alguns anos na colmeia da Papuda, mas ela vai arrastar para o mesmo infortúnio da cadeia boa parte da classe política de Brasília que nos últimos 30 anos enriqueceu com a corrupção e com a impunidade. De Roriz a Rollemberg, a roubalheira foi intensa. O governador de Brasília está sendo investigado por crimes de corrupção do dinheiro da Saúde e do BRB. A sociedade brasiliense foi dominada por uma representação política contaminada e acostumada ao crime.
s procuradores federais Carlos Fernando Lima e Athayde Ribeiro Costa já possuem provas suficientes que a deputada distrital Liliane Roriz tinha consciência de que a doação eleitoral de R$ 1 milhão da UTC Engenharia recebida por ela era fruto de propina paga com dinheiro da Petrobrás conseguida pelo ex-senador Gim Argello.
Ao entregar áudios gravados em conversas com o ex-senador Luiz Estevão ao Ministério Público Federal, a filha de Roriz não imaginava que poderia se auto destruir e ficar sob a mira da Operação Lava-jato.
Na “roda de conversas” com Estevão, Liliane e Valério Neves, fazem menção direta ao fato de Gim Argello ter extorquido empresários para obter doações. Segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal, Valério Campos Neves, ex-secretário geral da Câmara Legislativa, preso temporariamente na Operação Vitória de Pirro (28ª fase da Lava Jato), era um dos operadores do ex-senador Gim Argello na negociação e no recebimento de propinas dissimuladas que foram pagas pela UTC.
Além de Luiz Estevão, políticos e empresários de Brasília foram gravados por Liliane Roriz. Depois de grampear Estevão, a filha de Roriz gravou a presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS), que se tornou alvo da Operação Drácon, que investiga o desvio do dinheiro de emendas da saúde. As gravações fizeram um estrago em toda a mesa diretora da Câmara Legislativa que foi afastada por decisão judicial.
A deputada Liliane, que enfrenta um processo de cassação do mandato pela 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do DF onde tramita um processo que envolve todo o clã Roriz, e outro na própria Câmara Legislativa, jogou no fogo do inferno “amigos de sua convivência política, entre eles o ex-secretário da Câmara Legislativa, Valério Campos Neves, fiel escudeiro e dono de todos os segredos do ex-governador Joaquim Roriz”. O ex-governador corre o mesmo perigo que correu Jose Roberto Arruda, preso pela caixa de pandora.
Os nomes do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e do chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, aparecem em um depoimento prestado ao Ministério Público do Distrito Federal durante a operação Drácon – feita em parceria com a Polícia Civil para apurar suspeita de propina em emendas da Câmara Legislativa. Por ter sido citado, o caso foi enviado à Procuradoria Geral da República (PGR) pelo fato de o governador possuir foro privilegiado.
Para completar a dose, o Ministério Público Federal resolveu abrir a caixa preta do esquema de corrupção existente há mais de 30 anos dentro do Banco Regional de Brasília (BRB). O inquérito iniciado pela Polícia Civil e levado em banho-maria até hoje ganhou novo fôlego por meio de investigações paralelas realizadas pela Polícia Federal. Os ratos do cerrado começaram a pular pela janela!
Da Redação Radar
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