O ASSUNTO É

Quanto Custa a vida de Maria? Para os diretores do Hospital de Base, nada!

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O Hospital de Base de Brasília, administrado por um instituto que fatura do erário público  R$50 milhões por mês, deixa seus pacientes na “fila da morte” por falta de material. Falta  stent de fluxo, um material tão elementar para salvar a vida de Maria José Melo Jaime, 65 anos. Ela se encontra no pronto-socorro do hospital   há mais de 72 horas  com um aneurisma cerebral e pode ir a óbito, segundo o laudo de um neurocirurgião. A direção do IHBDF  “caga” para  uma liminar da justiça conseguida pela paciente.

Por Toni Duarte//RADAR-DF

Um neurocirurgião, médico do IHBDF, que atendeu Maria, diz em um laudo que a paciente corre risco de morrer. A diretoria do IHBDF aproveitou o feriado do sete de setembro para se picar dos corredores que abafam gritos de agonia e de socorro.

Nem mesmo com  liminares judiciais, expedidas por uma justiça impotente, como foi o caso de Maria, são capazes de obrigar o governador Rollemberg, o seu secretário de saúde  Humberto Fonseca ou o seu preposto Ismael Alexandrino, diretor presidente do Hospital de Base, a cumprir uma ordem de um juiz.

O governo ignora  liminares.

Se Maria morrer, os assassinos vestem-se de branco, ganham altos salários, possuem  privilégios capazes de serem socorridos nos caros hospitais privados na hora que precisam  e algum  se dizem donos absolutos do poder político e da alma do povo brasiliense.

Nesse domingo (09/09), Avelar Otagamis, genro e acompanhante de Maria enviou uma dramática carta a este jornalista, editor do Radar DF, que retrata fielmente a face cruel  de uma das piores mazelas produzidas por um governo irresponsável e criminoso. Segue a carta:

Meu amigo Toni Duarte/Editor, do Radar,

Estou sentado numa cadeira de boteco, daquelas de chapa de ferro, que nem fabricam mais, pois foi sucedida pelas de plástico nos anos 80.

A diferença é que não estou em nenhum bar de segunda qualidade. Estou no famoso Hospital de Base de Brasília na qualidade de acompanhante de paciente. Esse hospital público era Referência nacional e com seus 55.000 m2 de construção se mostra um dos 4 maiores do Brasil.

Acompanho minha sogra numa enfermaria de pronto socorro, barulhenta, com piso de granítina puída pelo tempo, aliás tudo aqui é degradante e triste. Abandono consumado.

Em qualquer hospital organizado um pronto socorro é passagem para um quarto organizado ou a alta médica dependendo do trauma do paciente. Aqui não.

Minha sogra Maria José Melo está aqui há 4 dias, com diagnóstico confirmado por 3 exames e alto risco de morte: Aneurisma cerebral. Para se ter isso foi preciso questionar médico e enfermeiros, já que não encontrei nenhum diretor para reclamar diretamente.

Maria não enxerga e sedativos não resolvem mais a forte dor de cabeça. O médico, ausente, liberou morfina. É isso mesmo.

Como disse, ela deveria ir para o tal tratamento intensivo – UTI- mas, parece que esse procedimento é dispendioso e como ela tem 65 anos, reserva- se esse procedimento a pessoas mais produtivas!

Ela é velha para o “Sistema”. A morte aqui é apenas consequência. É banal, normal.

O médico aqui não é ser humano. Não sente remorso, não chora ou ama o próximo. Não lamenta e não se redime ou reclama a injustiça do ente público. Não fez o Juramento de Hipócrates. Se fez, esqueceu!

O médico se preocupa, na verdade, com seu alto salário pago pelo contribuinte que o maltrata, abandona, ignora, discrimina, banaliza. Morreu, enterra e vamos em frente.

No caso da Maria José, eu e minha mulher Deise, filha dela, estamos fazendo de tudo para salvar sua vida.

Pedimos aos amigos, aos políticos e, principalmente, a Deus. Ontem quando vimos que ninguém desse hospital se interessa por ela, alegando que não dispõem do medicamento que ela precisa ( stent de fluxo), fomos a Justiça para fazer valer seu direito de viver.

O Juiz concedeu liminar à noite, mas a própria advogada da Defensoria Pública Dra. Daniele, informou que o Governo pode não cumprir a ordem judicial. Absurdo!

Disse e escreveu no protocolo que se em 48 horas, a minha sogra Maria José não fosse atendida, eu deveria voltar lá para outras providências.

Ora! Como fica quem está com risco de vida diagnosticado e confirmado por laudo médico que pode vir a óbito antes desse tempo? Quem será o culpado?

Apelei a tudo que posso, já que não tenho o dinheiro suficiente para comprar o equipamento, e tirá-la da FILA DA MORTE. A minha impotência diante desse sofrimento parece ser normal para esse governo desqualificado e desumano.

Avelar

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