Em um movimento que causa náuseas nas correntes mais tradicionais do PT, setores do entorno do candidato ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass, vêm promovendo uma velada aproximação para atrair o inelegível José Roberto Arruda (PSD).
Batizada pejorativamente de “Grassistas”, essa pequena fatia aposta que a novela arrudista termina no dia 14 de setembro, prazo final para a substituição das chapas majoritárias.
Na semana passada, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) vetou, por unanimidade, a candidatura de Arruda, mantendo seu bloqueio político até 2030. O recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesse cenário, parece ser apenas o cumprimento de uma etapa jurídica.
Leandro Grass já declarou que não teria nenhuma dificuldade em caminhar ao lado do “rei da Caixa de Pandora”, personagem central do escândalo que abalou seu governo e resultou em sua prisão por corrupção em 2009.
Os dados mais recentes, porém, revelam a derrocada eleitoral do ex-governador à medida que o eleitor passa a acompanhar com maior atenção o movimento político dos candidatos. Pesquisa do Igape aponta Arruda em queda, com 20,7%. Em cenários sem seu nome, seus votos migram diretamente para a liderança de Celina Leão (PP).
O PSD local já percebeu o tamanho do abismo. Desde o dia seguinte à decisão do TRE-DF, cresceu dentro da legenda a tendência de uma guinada em direção à “Leoa”.
O presidente do partido, Paulo Octávio, vê candidatos a deputados federais e distritais defenderem abertamente que o porto seguro para suas candidaturas está ao lado de Celina Leão, e não do petista Leandro Grass.
Nomes como o deputado distrital Rogério Morro da Cruz já declararam apoio à governadora. A pressão aumentou justamente após o veto do TRE-DF à candidatura arrudista, colocando em xeque a estratégia eleitoral de parte do PSD.
Até o próprio Paulo Octávio tem um movimento familiar que fala por si. Seu filho, André Kubitschek, candidato a distrital pelo PL, partido da base do governo Celina Leão, vem caminhando ao lado da governadora.
Como se vê, Leandro Grass mira apenas Arruda. Celina, por sua vez, parece disposta a abrir os braços para acolher os órfãos arrudistas que ficaram pelo caminho.
- Celina defende expansão do Colégio Militar e modelo cívico-militar no DF
- A velha política das sombras: o retorno dos métodos mentirosos de Arruda
- Com agenda cheia, Roosevelt Vilela amplia presença política no DF
- A 29 dias da eleição, o “Vai Celina” chega mais forte nas ruas com cara de vitória
- Pesquisa mostra: Celina vence com Arruda ou sem Arruda no páreo eleitoral



