O combate às emergências climáticas no Distrito Federal passa, fundamentalmente, pela preservação do Cerrado através das Unidades de Conservação (UCs). Atualmente, o DF conta com 86 unidades protegidas, um sistema robusto que inclui parques ecológicos, reservas biológicas e áreas de relevância ecológica, como Águas Emendadas.
Essas áreas atuam diretamente no equilíbrio do clima, contrapondo os danos causados por ações humanas nocivas, como o descarte irregular de lixo e as queimadas.
A importância dessas áreas foi destacada pelo sociólogo e presidente do Instituto Brasília Ambiental, Guto Gomes, em entrevista ao Vozes da Comunidade nesta sexta-feira (7).
“Desde a primeira conversa com a governadora Celina Leão, combinamos de fazer uma gestão transversal. Nosso foco é dialogar entre a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e o Brasília Ambiental, e, automaticamente, ouvir a sociedade”, explicou o gestor.
Gomes, que está à frente da autarquia desde 2023, reforçou que as UCs cumprem a função crucial de proteger o ecossistema local. Segundo ele, o cuidado com o patrimônio natural é uma prioridade para garantir a sustentabilidade hídrica e a biodiversidade da região central do Brasil.
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O presidente enfatizou a importância dessa escuta ativa: “quando ouvimos a população, a possibilidade de implementação de uma política ambiental eficaz é muito maior”, garantiu.
Guto lembrou sua passagem anterior pela Sema, onde atuou na coordenação da política ambiental. Esse sistema de gestão integrada foi inaugurado na gestão da governadora Celina Leão.
Ele detalhou que o processo de criação de novas UCs é complexo e envolve etapas rigorosas. É necessário definir a poligonal e verificar os atributos ambientais para garantir a proteção efetiva dos ecossistemas.
“Nós cuidamos das unidades já existentes e também criamos outras. Isso só é possível com muito diálogo e transversalidade com o governo. Entre os exemplos de áreas sob gestão ou em processo de criação, podemos citar o Parque Distrital da Serrinha. O esforço se estende por diversas regiões administrativas do DF”, destaca o entrevistado.
O gestor enumerou unidades em Samambaia (Parque Três Meninas), Taguatinga (Parque do Cortado), Águas Claras (Parque Ecológico) e no Plano Piloto (Parque Olhos D’Água). Brazlândia também foi contemplada com o Parque Veredinha.
Além da criação, o Brasília Ambiental atua na recuperação das áreas protegidas. Na Serrinha, foi realizado um reflorestamento com o plantio de 22 mil mudas de espécies nativas do Cerrado.
O Instituto também se dedica ao cuidado das Áreas de Proteção de Mananciais (APMs), essenciais para a segurança hídrica do Distrito Federal. “É importante dizer que tudo isso só tem eficácia se combatermos a grilagem de terra. O parcelamento irregular do solo é nocivo para o meio ambiente”, alerta Gomes.
O presidente diferenciou o impacto do parcelamento ordenado frente à ocupação ilegal. No parcelamento regularizado é possível realizar a compensação ambiental e dialogar com os moradores sobre a proteção. Em contraste, a grilagem causa danos profundos e desordenados ao ecossistema, dificultando a gestão dos recursos naturais e a biodiversidade.
Gomes destacou o esforço conjunto do Brasília Ambiental com outros órgãos do governo para regularizar os territórios de forma sustentável. Ele citou os condomínios do Jardim Botânico, que abrigam um terço da população da região, como exemplo. “Lá, entregamos licenças ambientais e dialogamos muito com a comunidade sobre essas questões”, disse. Alguns condomínios já possuem licenças prévias e de operação.
O modelo de regularização adotado foca na sustentabilidade e na responsabilização pelos danos causados. O processo inclui estabelecer qual foi o passivo ambiental para cobrar o valor proporcional ao impacto.
Ao finalizar, o sociólogo reiterou a aposta do governo na legalidade como caminho para a sustentabilidade. O objetivo é garantir que as ocupações existentes se adequem às normas ambientais, mitigando passivos e prevenindo novos danos ao Cerrado.
Assista ao programa na íntegra:

