Pela primeira vez na história da TV Record Brasília, o Balanço Geral, programa líder de audiência, virou motivo de preocupação interna. Não por um erro técnico ou uma falha de transmissão, mas pelo conteúdo que ocupou a tela e, em seguida, esvaziou o interesse de quem assistia.
A queda brusca de audiência, registrada nesta segunda-feira (21), ocorreu porque o debate político não conseguiu prender a atenção do público. O telespectador fez o que costuma fazer quando um programa deixa de ser do seu interesse: mudou de canal.
O que deveria ser um confronto de ideias terminou como um palanque de compadrio. Um encontro meloso, previsível e pobre em propostas.
Cinco candidatos ao governo do Distrito Federal ocuparam o estúdio: José Roberto Arruda, do PSD; Leandro Grass, do PT; Paula Belmonte, do PSDB; Kiko Caputo, do Novo; e Ricardo Cappelli, do PSB.
Todas as atenções pareciam se concentrar na governadora Celina Leão, do PP, que lidera as pesquisas de intenção de voto, mas ela não esteve presente devido a uma agenda administrativa apertada em diversas áreas do DF. Afinal, o governo não pode parar, e a decisão dela foi a certa.
Quem governa entrega serviços, assina ordens, visita obras e responde por uma máquina pública que não entra em recesso por haver uma eleição em curso. Celina escolheu o cargo, e não o palco de ataques e impropérios de seus adversários.
No debate anterior, realizado pelo Metrópoles, o Distrito Federal assistiu a ataques que chegaram, inclusive, a atingir a família da governadora. Os adversários produziram cortes para as redes sociais: cada ofensa virou vídeo; cada provocação, uma postagem.
Na segunda-feira, eles estavam novamente preparados para uma nova sequência de ataques. Celina não foi e nem precisava ir.
A governadora já conta com espaço diário em um pool de televisão no horario eleitoral para prestar contas do que fez, do que está fazendo e do que pretende fazer, caso seja reeleita como a primeira mulher eleita para governar o Distrito Federal.
As pesquisas recentes mostram Celina na liderança. Na Quaest, divulgada em 8 de setembro, ela apareceu com 35% das intenções de voto, contra 18% de José Roberto Arruda e 17% de Leandro Grass. Paula Belmonte marcou 4%, Ricardo Cappelli, 2%, e Kiko Caputo, 1%.
Poucos dias depois, o Datafolha mostrou Celina com 40%, enquanto Arruda registrou 17% e Grass, 16%. Paula Belmonte apareceu com 6%, enquanto Cappelli e Kiko Caputo marcaram 3% cada.
A pesquisa mais recente, do Igape, divulgada no domingo (20), ampliou novamente a diferença. Celina aparece com 41,5%, Arruda tem 16,3%, Grass registra 15,8%, Paula Belmonte chega a 5,4%, Cappelli a 3,9% e Kiko Caputo a 2,9%. O levantamento ouviu 2 mil pessoas no DF entre 15 e 19 de setembro.
Portanto, a “Leoa” não perdeu nada ao se ausentar do palco das injúrias e xingamentos. Quem saiu perdendo foi a Record e o seu Balanço Geral.
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