O MDB do DF enfrenta um momento em que o ego e a estupidez política do ex-governador Ibaneis Rocha e do deputado federal Rafael Prudente ameaçam diluir a identidade da legenda, que possui uma história visceralmente ligada à própria autonomia política da capital federal.
A história do MDB confunde-se com a figura do ex-governador Joaquim Roriz. Nomeado governador em 1988 pelo presidente José Sarney (PMDB), Roriz transformou o partido em uma máquina eleitoral no DF, canalizando o apoio das cidades-satélites e das populações de menor renda.
O partido esteve à frente do Palácio do Buriti por cinco mandatos eleitos, três com Joaquim Roriz (1991–1994, 1999–2002, 2003–2006) e dois com Ibaneis Rocha (2019–2022, 2023–2026), além do mandato indicado de Roriz (1988–1990).
O MDB também ocupou a vice-governadoria em uma oportunidade, com Tadeu Filippelli, durante a gestão de Agnelo Queiroz (2011–2014).
Após anos de alternância, o MDB ressurgiu com força no DF em 2018 com a eleição surpresa do advogado Ibaneis Rocha. Ele foi à reeleição e venceu em primeiro turno nas eleições de 2022.
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Agora, em 2026, o MDB no Distrito Federal chega ao ápice de uma fragmentação política que ameaça corroer sua força eleitoral nas urnas de outubro.
A crise é alimentada por vaidades, desentendimentos e alianças cruzadas feitas na moita com seus caciques, que acendem velas para Deus e para o diabo.
Ibaneis Rocha renunciou ao mandato de governador em março de 2026 para cumprir o prazo de desincompatibilização e disputar uma vaga ao Senado Federal.
Contudo, no início desse mês, anunciou publicamente que desistiu da candidatura e que vai “cuidar da vida pessoal”.
A desistência ocorreu em meio a desdobramentos de desgastes políticos e investigações, como os envolvendo o BRB e o Banco Master.
O partido resolveu também romper com a base de apoio da governadora Celina Leão, pré-candidata à reeleição.
Com o partido fraturado e sem comando, a sigla corre o risco real de encolher sua bancada nas urnas e perder o protagonismo central que exerceu na política do Distrito Federal ao longo das últimas décadas.
Único deputado federal do partido no DF, Rafael Prudente tornou-se o epicentro de forte instabilidade e corre o risco real de ficar sem mandato.
Prudente oscilou publicamente entre lançar-se candidato ao governo do DF pelo MDB, compor como vice na chapa do inelegível José Roberto Arruda (PSD) ou fechar um acordo de reeleição com a governadora Celina Leão (PP). O rapaz não sabe o que quer.
Por isso está vendo a sua candidatura à Câmara ser diluída por perda de apoio importante de deputados distritais do próprio partido e de outras legendas.
O diretório do MDB-DF é presidido formalmente pelo deputado distrital Wellington Luiz, mas o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, promoveu uma “intervenção branca”.
Na prática, instaurou-se um cenário em que o presidente regional “reina, mas não manda”. Wellington Luiz mantém o cargo formal, mas o comando das diretrizes eleitorais e coligações para 2026 passou ao controle direto da Executiva Nacional.
Diante de todo esse cenário, é evidente constatar: o MDB, que reinou em céu de brigadeiro, chega a três meses das eleições de 2026 como partido moribundo, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar.
De resto, fica apenas esse videoclipe em homenagem do jornalista Wellington Moraes ao saudoso governador emedebista Joaquim Roriz:



