Ocorrerá na próxima terça-feira, 10, o julgamento pela primeira turma do STF, sob a presidência de Flávio Dino, do deputado federal e presidente do PL do Maranhão, Josimar Maranhãozinho.
Trata-se do primeiro caso criminal de desvio de emendas parlamentares a chegar à fase final no Supremo no contexto do “orçamento secreto”, investigado pela PF desde 2021.
Josimar responde no Inquérito 4870, que foi transformado em ação penal, pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa.
A PGR o acusa de liderar um esquema que cobrou R$ 1,67 milhão de propina, equivalente a 25% do valor, para liberar R$ 6,67 milhões em emendas parlamentares destinadas à saúde do município de São José de Ribamar, no Maranhão, em 2020.
Provas incluem diálogos de WhatsApp, planilhas, extratos bancários e depoimento do ex-prefeito Eudes Sampaio.
A denúncia foi recebida por unanimidade em março de 2025; a Procuradoria pediu condenação em dezembro, com perda de mandato e inelegibilidade.
A partir daí, o que mais chama atenção é a negociação escandalosa e espúria entre Josimar, presidente do PL do Maranhão, e Márcio Jerry, presidente do PCdoB do Maranhão.
Essa articulação fede a blindagem política, já que o julgamento contra Josimar será decidido nesta pela 1ª Turma, presidida por Flávio Dino, ex-governador do Maranhão, ex-controlador do PCdoB no estado e hoje ministro do STF.
Márcio Jerry é o aliado político número 1 de Dino no Maranhão. Foi secretário de comunicação do governo dinista e precisa desesperadamente ser reeleito deputado federal nas eleições de outubro de 2026. Ele enfrenta dificuldades para alcançar o quociente eleitoral.
Reportagens recentes revelam que o acordo PL/PCdoB, mirando as eleições de outubro, prevê que Josimar, detentor de dezenas de prefeituras do interior maranhense, libere parcelas de sua estrutura que somam cerca de 50 mil votos nos “currais eleitorais” do Partido Liberal para impulsionar a reeleição de Jerry.
Em troca, segundo os bastidores políticos do estado, o cacique corrupto do PL-MA ganharia sobrevida política em meio ao risco iminente de condenação e perda do mandato.
A manobra une siglas ideologicamente opostas (PL bolsonarista e PCdoB de esquerda), mas pragmáticas no jogo local: enquanto o STF julga desvio de verbas públicas, os líderes negociam votos como mercadoria.
O ministro Flávio Dino sempre criticou o orçamento secreto e prometeu punir quem desvia dinheiro público.
Agora, ele preside o julgamento que pode condenar Josimar Maranhãozinho, seu rival político no Maranhão.
Enquanto isso, seu principal aliado, Márcio Jerry, ganha 50 mil votos dos currais do réu para se reeleger. Discurso de moralidade de um lado, acordos políticos de outro.
O desfecho do julgamento de Josimar, agendado para a próxima terça-feira, determinará se existiu isenção ou proteção ao deputado que montou um esquema escancarado de desvio do dinheiro público.



