O bolsonarismo do Distrito Federal começa a assistir, perplexo, a um fenômeno que parecia improvável até pouco tempo atrás: a desidratação política de Michelle Bolsonaro.
A ex-primeira-dama, antes tratada como símbolo incontestável da ala evangélica e guardiã do “legado” familiar, agora enfrenta uma brigalhada cada vez mais ruidosa dentro do próprio clã. A “pulada de cerca” política é a causa.
O estopim veio após entrevista explosiva de Eduardo Bolsonaro ao SBT News, na qual acusou diretamente Michelle de ignorar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O nome de Flávio foi lançado como “irreversível” por Jair Bolsonaro, atualmente preso na “Papudinha”. Michele não concordou.
Eduardo foi além: insinuou “amnésia” e falta de lealdade também por parte de Nikolas Ferreira, apontando um movimento paralelo dos dois nas redes sociais.
O que antes era vendido como unidade familiar contra o “sistema” agora expõe fissuras escancaradas.
A ausência de manifestações claras de Michelle em favor de Flávio virou combustível para a militância digital, que passou a compartilhar vídeos e cobranças em tom de traição.
No Distrito Federal, onde Michelle ensaia candidatura ao Senado, a repercussão tem sido particularmente negativa.
O “fogo no parquinho” é aplaudido por setores da oposição ao bolsonarismo no DF.
Levantamentos internos de partidos que disputam a mesma vaga indicam queda consistente da ex-primeira-dama.
O campo adversário observa com entusiasmo: Leila do Vôlei (PDT), teria sido beneficiada na pontuação com uma queda acentuada de Michelle ao se desvencilhar de Flávio Bolsonaro, indicado pelo marido preso.
Outro fator que corrói a imagem de Michelle no DF, é o silêncio estratégico, ou hesitação, sobre a aliança local.
Não está claro se o PL permanecerá na base do governador Ibaneis Rocha (MDB), que deixará o governo no dia 28 de março para disputar o Senado, tendo Celina Leão como sua sucessora ao Buriti.
A indefinição cria ruído, sobretudo porque o PL, no DF, é presidido por Bia Kicis, que também se apresenta como pré-candidata ao Senado, apesar de manter uma “bocona” com centenas de cargos no governo local.
O racha público do clã Bolsonaro, nas disputas por protagonismo, corrói a narrativa de coesão que sustentou o bolsonarismo por anos.
Se Michelle não assumir uma posição clara, seja ao lado de Flávio, seja na engenharia política local, corre o risco de ver sua base evaporar antes mesmo da largada oficial.
Como se vê, candidato nenhum é dono absoluto do eleitor, como ela e Bia Kicis, pregam.



