Em entrevista ao Radar DF, o deputado Fred Linhares (Republicanos-DF) alerta: o Brasil já vive um “narcoestado”.
“PCC e CV funcionam como empresas do crime, com tecnologia de ponta, drones vigiando polícia e comando nacional direto dos presídios, aterrorizando comunidades inteiras. Tratar traficante de facção como criminoso comum é suicídio”, afirma.
Ele defende prisão perpétua para crimes graves, fim de saidinhas e progressão de regime, alinhado a Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e provável candidato à Presidência da República. “Ou o Estado reage com inteligência e leis duras, ou o narcoestado engole o país”, sentencia.
Eis a entrevista:
Deputado, qual é sua visão sobre o combate ao crime organizado, especialmente diante do avanço de facções como PCC e CV?
Fred Linhares — O Brasil precisa encarar o crime organizado como ele realmente é hoje: uma estrutura nacional, profissionalizada e altamente tecnológica. PCC, CV e outras facções já operam como verdadeiras empresas do crime. Ou o Estado age com inteligência, integração e leis mais duras, ou vamos continuar enxugando gelo. Eu mesmo apresentei projetos nessa linha, como o que penaliza o uso de drones por criminosos. Hoje, facções usam drones para monitorar operações policiais, vigiar territórios e até planejar fugas. Precisamos fechar essas brechas tecnológicas antes que o crime avance ainda mais.
Como você avalia o endurecimento de penas para narcotraficantes ligados às facções e o impacto disso na segurança pública?
Fred Linhares — Sou totalmente a favor. Traficante ligado a facção não é criminoso comum. Ele financia armas, corrupção, guerras entre grupos e aterroriza comunidades inteiras. O Brasil precisa parar de tratar isso como delito individual. Por isso, apresentei no início do mandato o PL 2907/23, que atualiza o conceito de organização criminosa e cria a figura da organização criminosa familiar, responsabilizando também quem financia ou facilita a atuação das facções.
Deputado, o PL 4114/23 permite quebra imediata de sigilo de líderes de facção em presídios sem ordem judicial?
Fred Linhares — Nós protocolamos o PL 4114/23, elaborado com sugestão da própria PCDF, que trata da interceptação de comunicação telefônica em crimes hediondos. O objetivo é impedir que líderes de facção continuem comandando tudo de dentro dos presídios. Esses projetos atacam diretamente o núcleo financeiro e operacional das organizações criminosas — é isso que realmente enfraquece PCC, CV ou qualquer facção.
E sobre a PEC Antifacção relatada pelo deputado Guilherme Derrite? O texto avançou?
Fred Linhares — A PEC Antifacção é um avanço fundamental. E o relator, Derrite, fez um trabalho excelente ao deixar o texto mais claro, mais firme e mais eficiente contra facções. Ele fechou brechas e trouxe instrumentos que fortalecem quem está na linha de frente da segurança pública. Falo isso com propriedade porque acompanhei, debati e ajudei na construção da proposta. Combater facção é uma luta que carrego desde o meu primeiro dia de mandato. Tudo que endurece a lei, sufoca o caixa das organizações criminosas e protege o cidadão tem o meu apoio total.
O governador Tarcísio defende prisão perpétua para crimes graves e o fim de privilégios como progressão de pena e saídas temporárias. Você concorda?
Fred Linhares — Concordo plenamente. O Brasil não pode ser um país onde criminosos perigosos entram e saem do sistema como se estivessem passando por uma porta giratória. Em crimes bárbaros — feminicídio, estupro, assassinatos cruéis, crimes ligados a facções — não faz sentido falar em progressão de pena ou saída temporária. Esses benefícios viraram combustível para a impunidade.
Deputado, não é mais justo submeter ao povo, por plebiscito nacional, a prisão perpétua para crimes graves que aterrorizam o Brasil?
Fred Linhares — Apesar de ser um tema sensível, eu mantenho uma postura clara: a sociedade precisa ser ouvida. Por isso, assinei o plebiscito sobre prisão perpétua no Brasil, para que a população decida diretamente. Se o Brasil quer proteger famílias, mulheres e crianças, precisa endurecer. E discutir prisão perpétua para crimes graves faz parte desse caminho.



