O ex-governador José Roberto Arruda, aquele que disse não querer mais saber de política (leia aqui), está ativamente envolvido em uma nova movimentação política. Ele faz lobby pela aprovação de uma proposta no Senado que altera a Lei da Ficha Limpa.
Essa legislação, em vigor desde 2010, já impediu quase 5.000 candidaturas de políticos envolvidos em corrupção, ausência de requisitos e abuso de poder econômico, entre outros motivos.
Arruda foi um dos que foram barrados pela lei, criada há uma década e meia após uma grande mobilização popular com assinaturas de mais de 1,6 milhão de cidadãos brasileiros.
Nas últimas duas semanas, o político bate de porta em porta no Senado, onde já atuou como senador e teve o mandato cassado por violar o painel do plenário, para que a lei seja alterada na forma de contagem do prazo de inelegibilidade.
A nova proposta antecipa o início da contagem para a condenação ou renúncia e unifica em oito anos o período de inelegibilidade, com limite de 12 anos em caso de múltiplas condenações.
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Na quarta-feira (27), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retirou a proposta da pauta a pedido do relator Weverton Rocha (PDT-MA).
Não há consenso, o que provocou o adiamento.
Mas não é só de lobby que Arruda vem atuando em apoio ao esquartejamento da Lei da Ficha Limpa, já se antecipando aos fatos.
Pela manhã, namora o PL, de Valdemar da Costa Neto e Bia Kicis, e, à noite, se amasia com o PSD, de Gilberto Kassab e Paulo Octávio e com o Republicanos do Bispo Edir Macedo. Ha informações que ele já procurou também o PRD, PT e Psol.
O “Careca” busca uma legenda que assuma sua candidatura ao Buriti em 2026.
Se um desses partidos irá topar, só o tempo dirá.
O PL, PRD e PSD fazem parte da base do governo Ibaneis, que tem como candidata à sua sucessão a vice-governadora Celina Leão (PP) que lidera as pesquisas de intenções de votos.
O problema é que, ainda que o Congresso aprove a mutilação da Lei da Ficha Limpa, José Roberto Arruda permanecerá enrolado no fosso jurídico, com uma extensa lista de processos na gaveta judicial que ainda ameaça sua elegibilidade.



