A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que recebeu um crédito suplementar de R$ 16 milhões e usará o dinheiro para pagar as horas extras de maio. Sem o dinheiro, servidores haviam reduzido parte do serviço e pacientes relatavam demora e falta de atendimento em unidades da rede pública. O dinheiro deve ser disponibilizado na conta dos funcionários até o quinto dia útil deste mês.
O decreto foi publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (3). A pasta também recebeu R$ 232,6 milhões, que serão usados para compra de alimentação hospitalar, lavanderia, bolsa de estudos para residentes, benefícios a servidores e complementação da folha de pagamento. A secretaria alega que o orçamento está “aquém das necessidades”. O rombo na área é estimado em R$ 950 milhões no orçamento da área.
O titular da pasta, Fábio Gondim, havia feito um apelo aos funcionários. “Peço aos servidores que continuem trabalhando, que não deixem a população na mão. Não deixem de atender porque esses pagamentos serão realizados. Isso é uma poupança que se faz.”
O gestor foi pessoalmente à Câmara Legislativa negociar com os deputados a liberação de emendas parlamentares para cobrir o rombo na Saúde. Alegando atraso no pagamento das horas extras, servidores fizeram protestos nos hospitais de Base e de Sobradinho na segunda.
Gondim pediu que os servidores insatisfeitos com os atrasos “cedam espaço” para colegas interessados no trabalho adicional.
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“Os servidores que efetivamente não quiserem mesmo fazer essas horas extras, de forma nenhuma, e não temos como obrigar, que cedam espaço para outros servidores que também procuram. Estamos sendo procurados por servidores que gostariam de fazer [hora extra]”, disse o gestor na ocasião.
Escalada de gastos
Dados do Sistema de Gestão Governamental (Siggo) mostram que o pagamento de horas extras aumentou progressivamente nos últimos anos. Entre janeiro e agosto de 2012, foram gastos R$ 33,3 milhões. Em 2015, foram R$ 106,3 milhões pelo mesmo período.
Segundo a secretaria, a escalada de gastos é justificada pela construção das seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). As horas extras de maio ainda não foram pagas e vão custar R$ 15 milhões aos cofres públicos.
Relatório elaborado pelas secretarias de Saúde e Planejamento e obtido pelo G1 no início de agosto mostra que, para cada R$ 10 disponíveis para saúde em 2015, R$ 7,74 estão comprometidos com o pagamento de salários. A folha de pagamento custará aos cofres públicos até o fim do ano R$ 6.604.850.326,20 dos R$ 8.533.302.096,13 disponíveis.
“Embora reconheça que possa estar havendo falha nas escalas, excesso nas horas extras, posso garantir aos senhores que não teremos, infelizmente, como diminuir uma despesa de R$ 6 bilhões para R$ 3 bilhões, R$ 4 bilhões. Pode diminuir algumas centenas de milhões, que já é bastante, mas não vai mudar a lógica”, declarou Gondim em visita à Câmara no último dia 7.
Postado Por Radar/ Fonte: G1

