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Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Sem “voto de cabresto”, DF perde o interesse por eleições no Entorno

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Neste ano de 2024, que se inicia amanhã, começa também a disputa por cargos de prefeitos e vereadores dos municípios brasileiros, cujo pleito eleitoral se dará em outubro.

Os políticos do Distrito Federal, ente federativo que não tem eleições municipais, não parecem muito interessados em apoiar candidaturas de prefeitos que buscam a reeleição ou que tentarão se eleger, pela primeira vez, em municípios do Entorno como Águas Lindas, Cidade Ocidental, Luziânia, Novo Gama, Planaltina de Goiás, além de Santo Valparaíso e Antônio do Descoberto.

Para a maioria, principalmente dos que possuem mandato no DF, não há necessidade de apoiar o grupo A ou o grupo B, já que os eleitores com títulos no DF dificilmente transfeririam seu domicílio eleitoral para a cidade onde residem.

Embora morem lá, têm suas vidas associadas ao Distrito Federal devido ao trabalho, ocupando tanto serviços públicos quanto uma grande quantidade de postos de trabalho no setor privado, além de usufruírem das políticas públicas oferecidas pelo GDF, como saúde, segurança e educação.

Esses eleitores, que consideram as cidades do Entorno como dormitórios, representam 5,2% dos 2.203.045 eleitores do DF que expressaram seus votos nas eleições de 2022, segundo um mapeamento feito pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.

Na campanha municipal de 2020, o governador Ibaneis Rocha (MDB) estava no segundo ano de seu primeiro mandato quando apoiou a reeleição de Pábio Mossoró, do seu partido, em Valparaíso de Goiás e apadrinhou a eleição de Lucas Antonietti em Águas Lindas.

Entretanto, em 2022, quando Ibaneis foi reeleito no primeiro turno, nem Lucas, nem Pábio deram a mínima para a candidatura do governador do DF que se reelegeu em 1º turno.

O esforço concentrado dos prefeitos ficou apenas em torno da reeleição do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União). Afinal, os municípios do Entorno, na sua grande maioria, pertence a Goiás.

Ficou explícito que apoiar candidaturas de prefeitos do Entorno netas eleições de 2024 não é mais sinônimo de garantia de que a recíproca seja verdadeira em 2026 para com aqueles que disputarão as eleições majoritárias e proporcionais no DF.

Para vencedores ou derrotados nas eleições municipais, é mais interessante apoiar politicamente a disputa pelo Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano.

A classe politica do DF também começa a enxergar que o número de eleitores que moram nas cidades do Entorno e tiram o título eleitoral no DF está crescendo a cada eleição.

Trata-se de um fenômeno natural sem qualquer influência dos prefeitos do Entorno.

Como disse, houve um tempo em que os políticos de Brasília enchiam caminhões de eleitores, moradores do Entorno, em troca de camisetas, bonés e um caldo-de-cana com pastel na rodovia.

Os “vaqueiros” (cabos eleitorais) eram agraciados com uma casa da antiga  “X” ou um cargo em  comissão de uma Administração Regional.

Hoje não tem camisetas, bonés nem caldo de cana, itens proibidos pela Justiça Eleitoral. Quem mora no Entorno e vota em Brasília é porque se considera brasiliense e não goiano, simples assim.

*Toni Duarte é Jornalista e editor do Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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