O PT de Leandro Grass e Erika Kokay sai politicamente desgastado de um episódio que tentou colocar o transporte coletivo do Distrito Federal no centro da disputa eleitoral.
A greve dos rodoviários, prevista para esta segunda-feira (28), acabou suspensa depois de um acordo entre trabalhadores e empresas, mas chegou a representar uma ameaça concreta de redução da circulação de ônibus justamente na semana que antecede a eleição de 4 de outubro.
É nesse ponto que o jogo político do PT entra em cena.
Grass e Kokay manifestaram apoio ao movimento dos rodoviários. A CUT também esteve envolvida nas discussões. A greve, oficialmente apresentada como resultado de uma disputa trabalhista por reajuste salarial e benefícios, ganhou uma dimensão política inevitável diante da proximidade com o calendário eleitoral.
Uma eventual paralisação do transporte coletivo a poucos dias da votação poderia atingir justamente quem mais depende dos ônibus: trabalhadores, estudantes, idosos, pacientes e eleitores que precisam se deslocar diariamente pelo Distrito Federal.
E a própria Justiça do Trabalho reconheceu a sensibilidade do momento. Ao analisar o movimento, o TRT-10 determinou a manutenção de 80% da operação nos horários de pico e de 50% nos demais períodos e impôs multa de R$ 100 mil por hora descumprida.
Mais importante: determinou que, no dia 4 de outubro, fosse assegurada uma operação correspondente à de um dia útil, justamente para garantir o transporte durante a votação.
A decisão não significa que a Justiça tenha reconhecido crime eleitoral ou uma articulação partidária. É justamente por isso que a atuação de Grass e Kokay se torna suspeita sob o olhar da opinião pública.

Em política, o apoio explícito a uma mobilização sindical na semana anterior à eleição não pode ser analisado apenas pela aparência formal do discurso.
O episódio que envolve Leandro Grass e Erika Kokay expõe uma contradição que não deveria passar despercebida por ninguém.
Em 2022, o PT e seus aliados protestaram contra operações da Polícia Rodoviária Federal que abordaram ônibus no segundo turno presidencial. A discussão daquela época foi apresentada como uma questão de defesa da democracia e do direito de voto.
O ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, teve a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e foi condenado a 24 anos e 6 meses de prisão.
Agora, diante de uma ameaça de paralisação do transporte coletivo às vésperas de uma eleição, a mesma preocupação com a liberdade de deslocamento dos eleitores precisa valer para todos.
Democracia não pode ter dois pesos e duas medidas.
Se uma ação da PRF foi vista como um ato criminoso, capaz de dificultar o deslocamento de eleitores, qualquer movimento de outra natureza que possa produzir efeito semelhante também precisa ser analisado com rigor, independentemente do partido ou do grupo político envolvido.
Então, que prendam ou coloquem tornozeleiras em Leandro Grass e Erika Kokay.
Cabe à Justiça Eleitoral acompanhar o caso e verificar se houve qualquer conduta capaz de configurar ilícito eleitoral. Se houver indícios concretos, que sejam investigados.
No domingo (04), o eleitor precisa chegar à urna livre, informado e com o direito de escolha garantido. Transporte público funcionando é parte dessa garantia.
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