Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

O exército conservador lutará para manter Celina Leão no comando do Buriti

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Celina Leão (PP), governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, terá ao seu lado um dos mais poderosos exércitos eleitorais de Brasília: a população conservadora, que inclui evangélicos e de centro-direita do DF.

Pesquisa DataSenado aponta que 34% da população com 16 anos ou mais se declara evangélica, enquanto 30% dos brasilienses se identificam com a direita e centro-direita.

Conforme dados levantados pelo Radar DF, em termos absolutos, considerando a população total do DF, estimada em cerca de 2,8 milhões a 2,9 milhões de habitantes, o contingente evangélico representa uma parcela expressiva do eleitorado local.

O segmento é fortemente influenciado por pautas defendidas pela também evangélica Celina Leão, como questões de viés moral, defesa da família tradicional, liberdade religiosa e valores socioeconômicos associados ao empreendedorismo.

O eleitorado de Celina, porém, não é composto apenas pelo voto evangélico.

O Distrito Federal possui um dos eleitorados mais receptivos ao campo da direita no país.

O perfil conservador local é reforçado pelo histórico das urnas e por uma combinação de fatores demográficos, econômicos, sociológicos e históricos.

O DF conta com 2.562.037 eleitores cadastrados, dos quais 2.253.732 estão aptos a votar, segundo dados atualizados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A maior parte desse eleitorado está concentrada em regiões populosas, como Ceilândia, com mais de 432 mil eleitores, além de Águas Claras, Taguatinga, Samambaia e Planaltina.

Um dos fatores que ajudam a explicar esse perfil é o peso do funcionalismo público e das forças de segurança.

Brasília abriga a sede das Forças Armadas e grandes contingentes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e demais forças de segurança.

Esse segmento populacional possui um perfil historicamente ligado a pautas de segurança, lei e ordem e valores tradicionais.

O DF também possui uma das maiores rendas per capita do país. A presença expressiva de classes médias, segmentos de maior renda e trabalhadores autônomos favorece pautas liberais na economia e posições contrárias ao aumento da máquina estatal ou do endividamento público.

A maior demonstração do perfil conservador do DF foi o resultado da eleição presidencial de 2022. No primeiro turno, Jair Bolsonaro obteve 51,65% dos votos válidos, contra 36,85% de Luiz Inácio Lula da Silva.

No segundo turno, Bolsonaro alcançou 58,81%, enquanto Lula ficou com 41,19%.

O desafio para os candidatos de centro-direita, porém, está em transformar esse núcleo ideológico em maioria eleitoral, conquistando também os eleitores de centro e os cerca de 40% que não se identificam com esquerda, direita ou centro.

O DF foi governado pela esquerda no passado, especialmente durante os governos de Cristovam Buarque e Agnelo Queiroz, ambos do PT.

Contudo, escândalos de corrupção na política local, somados aos grandes desdobramentos de investigações federais, como o Mensalão e a Lava Jato, contribuíram para o fortalecimento do sentimento antipetista e para a rejeição de candidaturas identificadas com a esquerda.

Desde então, o eleitorado local consolidou escolhas mais alinhadas à centro-direita e ao bolsonarismo.

Foi com esse olhar que Celina Leão lutou como uma leoa para garantir também a “terrivelmente evangélica” Michelle Bolsonaro como sua parceira preferencial na disputa pelo Senado.

Agora, o exército conservador de Brasília se prepara para marchar ao lado de Celina rumo ao topo do Buriti.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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