Paula Belmonte (PSDB), candidata ao governo do Distrito Federal, constrói sua narrativa política como uma crítica feroz à gestão de Celina Leão.
Promete transformar o DF em um verdadeiro paraíso e zerar as filas da saúde pública em quatro anos.
No entanto, a retórica da gestão impecável encontra um contraponto incômodo na realidade patrimonial e empresarial que envolve seu nome.
Como revelou reportagem do portal Metrópoles nesta quinta-feira (10), a deputada distrital e seu marido, o advogado Luis Felipe Belmonte, acumulam pendências judiciais de valores expressivos.
Paula detém participação na Alvoran Investimento, empresa alvo de cobrança judicial superior a R$ 3 milhões pela compra de uma gráfica.
O processo resultou na penhora de bens, entre eles um imóvel duplex no Lago Norte. A defesa sustenta desacordo contratual e participação minoritária da parlamentar, mas as decisões judiciais foram mantidas.
O quadro ganha contornos ainda mais delicados com a inclusão de imóveis do casal em leilões judiciais para quitar uma dívida de R$ 253,6 milhões, relacionada ao não repasse de valores de precatórios por parte do cônjuge.
O leilão de quatro imóveis acabou adiado por falha na intimação da própria candidata, coproprietária dos bens.
É preciso deixar claro: possuir empresas, enfrentar disputas judiciais ou responder a cobranças não significa, por si só, incapacidade para exercer um cargo público.
Mas política também é coerência. Quem se apresenta como solução para os problemas administrativos do DF precisa estar disposto a explicar como administra seus próprios negócios.
Afinal, alguém que não consegue demonstrar eficiência e responsabilidade na condução do próprio patrimônio terá autoridade para administrar o patrimônio de milhões de brasilienses?
O dinheiro público exige muito mais que promessas de paraíso. Exige competência, transparência, responsabilidade e capacidade comprovada de gestão.
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