A morte de um cachorro da raça American Bully durante uma ação policial na Vila Cauhy, no Núcleo Bandeirante, começou a levantar esta semana uma série de questionamentos sobre o comportamento policial nas comunidades pobres do Distrito Federal.
A Vila Cauhy é uma comunidade situada na região do Núcleo Bandeirante, surgida há mais de 28 anos, onde casos do tráfico de drogas se tornou um fato comum.
A morte do cachorro, causada por um dispara de arma de fogo, feito por um policial militar, ganhou repercussão fazendo com que a 3ª Promotoria de Justiça Militar do MPDFT determinasse a instauração de um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias do ocorrido.
De acordo com a PMDF, os policiais responsáveis pela ação foram atacados pelo animal de grande porte, o que teria levado um deles a disparar um tiro na cabeça do animal.
No entanto, surgiram dúvidas sobre a justificativa para invadir o domicílio sem a prévia autorização judicial ou dos moradores que na casa residem.
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Neste caso não havia nenhuma situação que caracterizasse um flagrante delito, um desastre iminente ou um pedido de socorro, conforme preconiza a lei.
Além disso, a residência não era o alvo de investigação sobre qualquer ilícito, e a invasão teria acontecido porque o suspeito perseguido na rua pela polícia, teria jogado algo suspeito no quintal da casa onde o cachorro estava.
Essa suposta razão para a invasão forçada na residência, pode ser interpretada como desvio de finalidade, o que, se comprovado, pode levar o agente policial a responder nos âmbitos disciplinar, civil e penal. A lei prevê 4 anos de prisão e multa.
A inviolabilidade do domicílio é um direito assegurado pela constituição brasileira, e sua violação só é permitida nas hipóteses previstas em lei, como a existência de mandado judicial ou flagrante delito.
No entanto, é comum o relato de abusos policiais em comunidades pobres do Distrito Federal, em que as invasões de domicílio ocorrem sem a devida justificativa legal.
Casos como o da morte do cachorro na Vila Cauhy, servem como um alertas à Secretaria de Segurança Pública do DF, que estar na hora de promover a urgente capacitação e a conscientização dos seus agentes, sobre os direitos dos cidadãos e os limites de atuação nas comunidades mais vulneráveis do DF.
Tal medida poderá evitar abusos de autoridade e garantir um trabalho efetivamente voltado para a segurança da população seja rica ou pobre.
*Toni Duarte é Jornalista e editor do Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social. Leia mais #radarpolitico



