A aproximação das urnas neste domingo (04), confirma o que se desenhava ao longo dos últimos meses: o eleitorado do Distrito Federal prepara-se para deixar o Partido dos Trabalhadores por mais quatro anos fora do Palácio do Buriti, sede do governo local.
Pesquisa do Instituto IGAPE divulgada nesta quarta-feira (30), mostra a governadora Celina Leão (PP) com 57,8% dos votos válidos na disputa pelo Governo do Distrito Federal. Leandro Grass (PT) aparece em segundo, com 23,8%, seguido por Paula Belmonte, com 10,5%.
Na liderança consolidada das intenções de voto, Celina Leão (PP) desponta com chances reais de liquidar a fatura ainda no primeiro turno. Os números da reta final revelam uma vantagem expressiva.
O cenário atual não é uma obra do acaso, mas o resultado de cicatrizes profundas deixadas por gestões petistas passadas na memória da população brasiliense.
A relação do DF com o PT começou a ruir de forma dramática ainda no final dos anos 1990. Entre 1995 e 1998, sob o comando de Cristovam Buarque, o governo deixou uma marca trágica na Vila Estrutural.
Em agosto de 1998, a autorização da chamada “Operação Tornado” pela Polícia Militar culminou no massacre de famílias vulneráveis em uma desocupação violenta de terras.
O desfecho sangrento sepultou a reputação social da gestão e resultou na derrota de Cristovam nas urnas naquele mesmo ano.
Anos mais tarde, a última oportunidade concedida pela capital ao partido ocorreu entre 2010 e 2014, no governo Agnelo Queiroz. A gestão afundou em um escândalo sistemático de corrupção que culminou na prisão do próprio ex-governador, acusado de propinas e desvios na construção superfaturada do Estádio Nacional Mané Garrincha.
Desgastado e impopular, Agnelo tentou a reeleição, mas acabou varrido do mapa político pelo discurso moralista e decepcionante de Rodrigo Rollemberg (PSB).
Após a derrocada de Agnelo, as tentativas de reorganização da sigla esbarraram sucessivamente na rejeição do eleitorado local. Em 2018, o economista Júlio Miragaya disputou o governo e amargou um modesto 6º lugar no primeiro turno, somando apenas 4,01% ou 60.592 votos.
Em 2022, a federação PV/PT/PCdoB lançou o então distrital Leandro Grass (PV), mas foi derrotado ainda no 1º turno por Ibaneis Rocha (MDB).
Retornando agora em 2026, como filiado do PT, Grass tenta reverter o estigma, mas encontra um teto intransponível nas pesquisas de opinião.
A incapacidade de crescimento da oposição no DF reflete a consolidação de uma “prisão perpétua eleitoral” imposta pela maioria da população ao petismo do DF.
Somando a memória dos escândalos de corrupção, as tragédias sociais do passado e a alta aprovação da gestão da atual governadora, o Distrito Federal renova o seu recado de aversão à sigla, apontando para a vitória inevitável de Celina Leão neste domingo.
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