O vice-presidente Michel Temer se reúne hoje com a presidente Dilma Rousseff para dizer que vai deixar a coordenação política do governo. Mas ministros do Palácio do Planalto dizem que a intenção é manter o apoio a Temer, para que ele desista da ideia e permaneça na função. Temer terá uma conversa privada com Dilma antes da reunião de coordenação política que ocorre todas as segundas-feiras.
Ontem, o ministro da Secretaria de Comunicação de Governo, Edinho Silva, fez elogios ao vice-presidente:
— O Temer tem cumprido um papel fundamental na articulação política. Tem rara habilidade na construção de posições majoritárias. E o ministro Padilha também. A presidente Dilma tem muito reconhecimento e gratidão ao trabalho de Temer na articulação.
MAL-ESTAR
O clima entre Dilma e Temer é de estranhamento desde que, no auge da crise política, ele declarou que “alguém” precisava unir o país. Desde então, Dilma passou a esvaziar o papel do vice na articulação e a ocupar seu espaço. Na última semana, Temer avisou que não quer ser mais responsável pela chamada negociação miúda de cargos e liberação de emendas parlamentares.
Fiel escudeiro de Temer e operador dessas negociações, o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil) afirmou a parlamentares que não vai mais despachar na Secretaria de Relações Institucionais, no Palácio do Planalto, onde tem feito jornada dupla.
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Temer vem reclamando até mesmo do comportamento do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Na semana passada, houve um mal-estar em relação à liberação de emendas. Temer assumiu compromissos, por intermédio de Padilha, depois desautorizados pela equipe econômica. O vice está insatisfeito ainda com interpretações, por parte de ministros petistas, de que ele poderia ser beneficiado com o impeachment da presidente. O vice vem dizendo que tem história como jurista e não quer seu nome envolvido em insinuações de apoio a ações golpistas.
Aliados de Temer dizem que ele está decidido. Mas admitem que falta uma conversa com Dilma. A reunião da coordenação política deverá ser precedida de uma conversa dos dois. É na coordenação política que se define toda a estratégia da articulação.
Aliados têm certeza da saída de Temer. Parlamentares do PMDB dizem que seria “uma desmoralização” ele mudar de ideia. O problema é que a negociação ficaria nas mãos do PT, principalmente do ministro Aloisio Mercadante (Casa Civil), cujo comportamento é muito criticado no Congresso. Mas os mesmos peemedebistas afirmam que isso não significa um desembarque do PMDB do governo.
— Quero ver como os gênios do PT vão se virar sem o PMDB na negociação política — resumiu um aliado de Temer.
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O PMDB do Senado não acredita num rompimento com a saída de Temer da linha de frente da coordenação, até porque isso seria interpretado como apoio ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O PMDB do Senado está mais próximo do Planalto, na figura do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
O partido também espera uma posição de Temer para saber se deixará o governo Dilma. O encontro nacional do partido foi adiado para novembro.
Postado Por Radar

