Os nomes do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e do chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, aparecem em um depoimento prestado ao Ministério Público do Distrito Federal durante a operação Drácon – feita em parceria com a Polícia Civil para apurar suspeita de propina em emendas da Câmara Legislativa. Por causa da citação, o inquérito foi enviado à Procuradoria-Geral da República, que passa a acompanhar o caso.
depoimento foi dado por um ex-gestor da Secretaria de Saúde, mas o documento obtido pela TV Globo com exclusividade não informa o nome desse servidor. Segundo ele, Rollemberg e Sampaio comandaram um esquema de corrupção que causou danos aos cofres públicos. Em nota, o Palácio do Buriti negou as irregularidades.
Entre as denúncias, está o superfaturamento na compra de kits de combate aos sintomas da dengue. Segundo o depoimento, o GDF comprou cada kit por R$ 55, mas o edital de licitação previa um custo máximo de R$ 22. Mesmo esse valor previsto estaria acima da média de mercado, estimada em R$ 8 de acordo com o ex-gestor.
Se os valores do depoimento estiverem corretos, isso significa que cada kit custou 587,5% a mais que o preço razoável. Os R$ 22 milhões teriam sido autoirizados pelo atual coordenador de Logística e Infraestrutura da Secretaria e Saúde, Tiago Amaral Flores. O documento não aponta quando a compra foi feita.
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Ainda segundo a denúncia, o esquema funcionou porque Rollemberg teria o apoio de três personagens principais, apelidados de “três reis magos”. O depoimento cita Armando Raggio, diretor-executivo da Fundação de Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), e pessoas identificadas como “Sadi” e “Renílson”.
Os nomes se referem a Sady Carnot Falcão Filho, ex-diretor-executivo do Fundo Nacional de Saúde, e Renilson Rehem, diretor da organização social que gerencia o Hospital da Criança de Brasília. O G1 não conseguiu contato com eles na noite desta quarta-feira (7).
O depoente aponta Sady Filho como o responsável por indicar o ex-diretor do Fundo de Saúde do DF, Ricardo Cardoso, a Rollemberg. Ao longo de 2015, ele foi responsável por pagar os fornecedores do GDF na área de saúde.
Cardoso ficou no cargo até abril deste ano, e prestou depoimento à CPI da Saúde da Câmara Legislativa na semana passada. Foi ele quem assinou a emenda que liberou R$ 30 milhões para o pagamento de fornecedores de UTI em dezembro de 2015. A operação está sob investigação e, segundo Liliane Roriz (PTB), foi feita em troca de propina.
Em nota, o Palácio do Buriti informou que “apoia todas as investigações do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios que têm o objetivo de averiguar denúncias de eventual desvio de recursos públicos, sem qualquer julgamento prévio”, e disse que a compra dos kits da dengue não foi feita pelos preços informados na denúncia.
Áudios
A polícia apura denúncias da deputada Liliane Roriz (PTB) de que a presidente da Câmara, Celina Leão (PPS), articulou um esquema de pagamento de propina e desvio de recursos de emendas parlamentares que seriam usados para pagar contratos de gestão de UTIs.
No último dia 22, o Tribunal de Justiça do DF determinou o afastamento de toda a Mesa Diretora da Casa. A medida cautelar (ou seja, antes do julgamento do mérito) foi pedida pelo MP, para apurar suspeitas de pagamento de propina que teriam beneficiado os deputados.
A decisão do desembargador Humberto Adjuto Ulhoa vale até o fim das investigações. Foram afastados a presidente Celina Leão e os secretários Raimundo Ribeiro (PPS), Júlio César (PRB) e Bispo Renato Andrade (PR). A vice-presidente, Liliane Roriz (PTB), havia renunciado ao cargo.
Com o afastamento, o recém-eleito vice-presidente Juarezão (PSB) deve coordenar os trabalhos até o fim do ano. Suplentes dos secretários, os distritais Lira (PHS), Agaciel Maia (PR) e Rodrigo Delmasso (PTN) assumem as vagas pelo mesmo período.
A saída dos membros da Mesa Diretora aconteceu no mesmo dia em que a Polícia Civil deflagrou a “Operação Drácon”. No primeiro dia de ação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, 8 mandados de condução coercitiva e 4 de afastamento cautelar. As buscas foram feitas nos gabinetes parlamentares, na Presidência da Câmara e na residência das pessoas citadas. Segundo o MP, todos se apresentaram espontaneamente, dispensando o cumprimento da condução coercitiva.
“As investigações são sigilosas. Elas vieram a conhecimento público antes do momento que julgávamos oportuno. Essa palavra é muito cara, porque o princípio mais importante da investigação é a oportunidade. Isso exigiu do MP e do Judiciário a tomada de medidas na manhã de hoje”, afirmou o promotor de Justiça do Grupo de Apoio ao Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Clayton Germano, no dia 22 de agosto.
Postado por Radar/Fonte G1 DF
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