A 3ª edição do Festival Quebradas transformou o Jardim Roriz, em Planaltina, em um epicentro de cultura e resistência. O evento tem como pilares a valorização das periferias e a democratização do acesso à arte.
O encontro serviu como cenário para o lançamento do livro “Hip Hop Pelo Fim do Feminicídio“, uma obra que utiliza a arte como ferramenta de denúncia e pedido de socorro frente à crise de violência contra a mulher no Brasil.
O livro é organizado por Ravena Carmo e Eulla Yaá. Na cerimônia, também marcaram presença Vera Eunice de Jesus, Lunna Rabetti, Vera Veronika e Osvaldo Bonetti.
Para Ravena Carmo, professora, poeta e uma das articuladoras do projeto, a obra transcende a literatura. “Ele traz denúncias, verdades e um pedido de socorro. É um marco histórico que dá um recado claro para as próximas juventudes: não aceitamos mais morrer, nós queremos ficar vivas.”

Um dado alarmante revela a urgência do tema: cerca de 90% das artistas que contribuíram com o livro estão sob medida protetiva.
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“São mulheres que combatem as violências contra as mulheres, ao mesmo tempo em que são vítimas, usando a arte para falar com o mundo” explica Ravena.
O Festival Quebradas, realizado pelo Instituto Periferia Livre, em parceria com o Instituto Transforma e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, ofereceu uma programação vasta e gratuita.
O Half do Jardim Roriz foi palco principal, recebendo a Batalha das Gurias, pistas de skate e diversas intervenções da Cultura Hip Hop.

Além do lançamento literário, o evento promoveu a revista Saúde nas Quebradas, produzida com apoio da Fiocruz. As famílias presentes puderam desfrutar de oficinas de grafite e escrita criativa, além de um espaço lúdico para as crianças, com distribuição de pipoca e algodão doce.
Para fechar o evento, o púbico contou com a apresentação do grupo Subconsciente Rappers, referência no cenário hip hop do DF.

Casa da Mulher no Hip Hop
Durante o festival, a articulação da Casa da Mulher no Hip Hop do Distrito Federal, localizada em Planaltina, ganhou destaque. O espaço, que está em fase de reforma com apoio do Ministério da Gestão e Inovação, surge para preencher uma lacuna nos serviços de apoio à mulher.
“Os espaços existentes muitas vezes não contemplam a realidade da mulher da comunidade. A Casa nasce para acolher vítimas de violência doméstica e oferecer suporte integral”, destaca Ravena.
A previsão é que, além do acolhimento, o local ofereça cursos de economia solidária, oficinas de corte e costura, atendimento psicológico e orientação jurídica para mulheres e juventude.
Para Ravena, que encontrou no hip hop a base de sua própria trajetória — da superação no sistema socioeducativo até à docência e o ativismo na Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop do DF —, o evento é a prova de que a cultura não é apenas entretenimento, mas uma filosofia de vida capaz de reconstruir trajetórias.
Mais do que um evento cultural, o Festival Quebradas se firmou como um espaço de resistência, formação e transformação social. Ao integrar arte, educação e debate político, a iniciativa fortalece as vozes periféricas e amplia a visibilidade de pautas urgentes, como o enfrentamento à violência de gênero.
O lançamento de “Hip Hop Pelo Fim do Feminicídio” simboliza esse movimento: um chamado coletivo por justiça, dignidade e, sobretudo, pela garantia do direito das mulheres à vida.

