A transformação digital tem se tornado peça central na reorganização da saúde pública do Distrito Federal. Ferramentas tecnológicas como painéis de monitoramento em tempo real, prontuários integrados e aplicativos voltados ao cidadão estão permitindo maior controle das filas, melhor planejamento e decisões mais rápidas por parte dos gestores.
Esses avanços foram destacados pelo secretário de saúde do DF, Juracy Lacerda Júnior, durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, na manhã desta sexta-feira (19).
Segundo o secretário, a incorporação de tecnologia foi fundamental para enfrentar um dos maiores desafios da saúde pública: a gestão de filas. “Estamos falando de cerca de 1.600 filas diferentes entre consultas e cirurgias. Sem tecnologia, é praticamente impossível controlar e planejar ações com eficiência.”
Hoje, um painel digital permite acompanhar, em tempo real, dados sobre atendimentos, tempo de espera e capacidade da rede, orientando políticas públicas como os programas “O câncer não espera, o GDF também não” e “Opera DF”.
Além disso, a chamada “sala de comando” da governadora reúne informações estratégicas da rede de saúde, permitindo monitoramento contínuo das demandas. Outros painéis também estão sendo implementados para ampliar esse acompanhamento e garantir maior transparência e eficiência na gestão.
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No caso das cirurgias eletivas, a parceria com a rede privada também tem sido acompanhada por meio dessas ferramentas. Cerca de 11 mil pacientes já foram convocados para procedimentos, com mais de 5 mil cirurgias realizadas até o momento.
“Cada cirurgia representa uma história e uma transformação de vida. Isso nos motiva a avançar ainda mais”, destacou Juracy.
Agilidade no atendimento
Outro avanço significativo é o uso de tecnologia para otimizar o atendimento hospitalar. Sistemas digitais permitem verificar, em tempo real, a taxa de ocupação dos leitos, a previsão de altas e o fluxo de cirurgias. Com isso, os gestores conseguem aumentar o chamado “giro de leitos”.
A digitalização também chegou à atenção básica. O DF tornou-se referência ao equipar todos os agentes comunitários de saúde com tablets. Antes, o trabalho era feito com registros em papel. Agora, os dados das visitas domiciliares são enviados instantaneamente, permitindo análise mais rápida e criação de políticas públicas direcionadas a cada região.
Para os pacientes, uma das inovações mais recentes é a farmácia digital. A proposta é que todo o processo — do cadastro ao agendamento para retirada de medicamentos de alto custo — seja feito por aplicativo.
Atualmente, cerca de 56 mil pacientes estão sendo migrados para o novo sistema. Para aqueles com dificuldade no uso da tecnologia, especialmente idosos, há suporte presencial nas unidades.
Na oncologia, a tecnologia aliada ao planejamento também trouxe avanços importantes. O mapeamento completo da jornada do paciente permitiu criar um fluxo contínuo de atendimento, evitando que pessoas diagnosticadas voltassem para filas gerais de exames, como tomografias.
“Antes, o paciente fazia uma consulta e entrava em outra fila sem prioridade, o que compromete o tempo, que é essencial no tratamento do câncer”, ressaltou.
Os resultados foram expressivos. O tempo de espera para uma consulta oncológica, que já chegou a cerca de 100 dias, foi reduzido para apenas 8 dias em um primeiro momento, após parcerias com a rede privada. Com o aumento da demanda — inclusive de pacientes de outros estados — esse tempo voltou a crescer, e a meta atual é mantê-lo em torno de 20 dias.
Desafios e novos médicos
O secretário também destacou desafios futuros, como a implantação de um sistema unificado de prontuário eletrônico e a integração da regulação com o estado de Goiás.
Na atenção primária, a chegada de 114 novos médicos neste mês de junho reforça a estratégia de prevenção. A expectativa é que o fortalecimento desse nível de atendimento reduza a sobrecarga das unidades de pronto atendimento (UPAs), já que cerca de 80% dos casos podem ser resolvidos na atenção básica.
Apesar dos avanços tecnológicos, Juracy reconhece que o maior desafio da gestão ainda é consolidar a transformação digital como uma ferramenta permanente de decisão. “Nossa meta é garantir que todas as decisões sejam baseadas em dados em tempo real. Esse é o caminho para uma saúde mais eficiente e acessível para a população”, concluiu.
Ele também fez questão de reconhecer o papel dos profissionais de saúde, enaltecendo o trabalho e a dedicação de cada um.

