Dois dos três senadores do Distrito Federal optaram por manter os direitos políticos da presidente cassada, Dilma Rousseff, durante o julgamento do processo de impeachment ocorrido nesta quarta-feira 31. O senador Hélio José (PMDB-DF) disse que cassar o mandato de presidente da República e suspender seus direitos políticos por oito anos seria um duplo e pesado castigo que poderia “cristianizá-la”.
ex-petista e agora senador pelo PMDB do DF, Hélio José, avaliou como sendo “uma página virada da história do Brasil”, o resultado do julgamento final do impeachment em que sessenta e um dos oitenta e um senadores, entre os quais ele próprio, votaram a favor da perda do mandato de Dilma.
Hélio José afirmou ao Radar que a maior punição que a ex-presidente recebeu da ampla maioria dos senadores foi a do impeachment, onde a maioria votou a favor da cassação. “O processo de impeachment foi exaustivamente debatido, foi dado a ela o amplo direito de defesa e mesmo assim ficou constatada a clara violação da lei de responsabilidade fiscal por meio das chamadas pedaladas”.
Já no processo para que a ex-presidente cassada perdesse os direitos políticos, Hélio José votou contra e justificou: “quero deixar claro que na minha compreensão como senador do PMDB, na compreensão do senador Renan, senador Eduardo Braga e de tantos outros senadores do meu partido foi de que não tinha sentido punir a mesma pessoa por duas vezes”.
Fazer isso, segundo o senador, seria cristianizá-la: “Ficou muito claro para mim que a presidente Dilma é uma pessoa honesta, não se apropriou de dinheiro alheio, não está envolvida em apropriação indébita, desvio de recurso ou em alguma coisa que pudesse colocá-la na condição de ré. O que houve, no meu ponto de vista, foi uma grande trapalhada do governo dela que cometeu crimes de responsabilidade fiscal violando decretos, o que fez gerar contra ela um processo de impeachment, o qual resultou na cassação do mandato de presidenta da República”.
O senador também afirmou ser legítimo a iniciativa do PMDB, que para atender um pedido feito pelo presidente da República, Michel Temer, de entrar com um recurso com o objetivo de anular a surpreendente decisão do Senado de dividir o processo de impeachment que poupou os diretos políticos da ex-presidente. “Se cabe ação judicial é só impetrar e caberá ao Supremo Tribunal Federal dar a palavra final”, afirmou.
No caso dos três senadores de Brasília, (Reguffe, Hélio José e Cristovam Buarque) os dois últimos estão entre os trinta e seis senadores que votaram contra a perda dos direitos políticos da petista. O senador Reguffe manteve a posição de votar a favor da inabilitação de Dilma Rousseff.
Da Redação Radar
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