O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militares do Distrito Federal, Coronel Emilson Santos, foi obrigado a falar sobre o chamamento de concursados após receber pressão de um tenente que liderava um grupo que participou do último concurso realizado em 2017 pela Corporação
Por Toni Duarte//RADAR-DF
Uma verdadeira saia justa. Foi assim que se sentiu o Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Emilson Santos ao ser praticamente obrigado a falar para um grupo de 20 concursados sobre o chamamento de um concurso público realizado há dois anos pela Instituição Militar.
O “cerca lourenço” foi articulado pelo tenente Renilson Roma que disputou uma das 24 vagas para deputado distrital na eleição passada, mais não conseguiu se eleger. Renilson é do Avante, partido do vice-governador Paco Brito, presidente da legenda.
O fato aconteceu logo após o ato solene da troca da bandeira nacional que ocorre a cada mês na praça dos Três Poderes. A solenidade deste domingo foi organizada pela Polícia Militar e contou com a participação do governador Ibaneis Rocha. Paco Brito também se fez presente.
O Comandante Emilson Santos nem teve tempo de se despedir do governador. Foi cercado pelo grupo que quis saber quando todos seriam chamados pela corporação militar.
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O tenente é acusado de ser a voz militar do vice-governador Paco Brito dentro da corporação. Ele mandou fazer um vídeo do Comandante falando sobre o compromisso de chamar os concursados.
O vídeo viralizou nas redes sociais impulsionado pelos mais de quatro mil concursados que participaram do certame realizado no terceiro ano do governo Rollemberg.
Sem ter como se livrar da pressão, o comandante afirmou que não tem como precisar a data de quando começa o curso de formação dos concursados e que as nomeações do Corpo de Bombeiros, como todas as áreas do GDF, ainda não foram nem concluídas.
Ele deixou claro que no ano anterior, o CBMDF fez toda a previsão orçamentária e foi feita uma proposta para ser cumprida dentro dos primeiros 100 dias do governo que se inicia, de pelo menos incorporar uma turma.
Ele não estimou uma data para não entrar em contradição com a equipe econômica do governo que ainda está fazendo levantamento da saúde financeira do Estado.
Apesar de ter respondido aos questionamentos do grupo liderado tenente Renilson, no entanto, o comandante-geral do CBMDF, segundo alguns de seus auxiliares se sentiu constrangido diante da ação arquitetada pelo seu subordinado.
Além do mais o Comandante terminou falando sobre um assunto bastante sensível que só quem tem autoridade para falar sobre a área financeira do GDF é o secretário de Fazenda André Clemente ou o próprio governador Ibaneis Rocha.
A maioria dos oficiais da corporação também classificou o comportamento do militar e ex-candidato a deputado distrital pelo Avante como “um acinte e falta de respeito”.
O Radar procurou o vice-governador Paco Brito que disse que ninguém está autorizado a falar em seu nome ou em nome do governador Ibaneis Rocha. Disse ainda que iria entrar em contato com o Comandante Emilson Santos para deixar isso claro.
Procurado também pelo Radar, o tenente Renilson declarou que é mentirosa a acusação de que estaria usando o nome do vice-governador para influir nas questões internas do Corpo de Bombeiros.

