A quarta-feira amanheceu melancólica no comitê político de José Roberto Arruda (PSD). Não por falta de slogan, nem por ausência de foto sorridente no outdoor.
Amanheceu assim porque a Procuradoria-Geral Eleitoral, braço direito do Tribunal Superior Eleitoral, recomendou a inelegibilidade de sua candidatura ao GDF, uma pá de cal do tamanho da Lei da Ficha Limpa.
Não adianta pedir calma aos apoiadores com o argumento de que “ainda há esperança”. Já há a forca, com a corda balançando, e já há o carrasco. Só faltam agora o coveiro para enterrar e as carpideiras para o coro de praxe. Esse é o cenário.
Nos próximos dez dias, antes do pleito de 4 de outubro, o TSE pode simplesmente seguir a recomendação do Ministério Público Eleitoral e manter a decisão unânime do TRE-DF que tira Arruda da disputa de forma definitiva.
O clima agonizante da campanha do inelegível tem outro reflexo, menos jurídico e mais prosaico: a falta de dinheiro é visível. Os candidatos que disputam uma vaga na Câmara Legislativa ou na Câmara dos Deputados estão em penúria na reta final.
O abandono é geral. Quem ontem jurava fidelidade hoje conta os dias para não aparecer no velório. Repetem o jargão: “rei morto, rei posto”.
Arruda coleciona sete condenações por improbidade administrativa, a maioria ligada à Caixa de Pandora. O TRE-DF, por 5 a 0, entendeu que os prazos não se unificam no calendário conveniente da defesa e que a inelegibilidade segue de pé.
A Procuradoria, no TSE, repetiu a tese. Arruda recorreu e diz que a lei nova o salvou e que quer ser “julgado nas urnas”. Diz que confia na Justiça, a mesma que, até agora, não lhe deu o atestado de milagre que a campanha precisa.
Enquanto o recurso não cai, ele segue em palanque, em debate e no horário eleitoral, mas com os votos anulados nas urnas e com o atestado de óbito já protocolado no cartório.
Se, no fim dessa história, alguém ainda puder se dar bem, pode ser o próprio inelegível, não nas urnas, mas na mesa de negociação.
Quando o TSE cravar o último prego sobre o caixão da ineligibilidade, nada impede que o candidato-sem-candidatura corra para os braços do PT para negociar o passe.
Esse é o modo arrusdista de ser candidato a cada eleição. Ela já pensa em 2030.
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