A discussão sobre o uso de câmeras corporais por policiais militares ganhou contornos de forte confronto político no cenário eleitoral de Goiás nesta terça-feira.
Durante um comício da base governista em Aparecida de Goiânia, o ex-governador e candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), disparou duras críticas à possibilidade de adoção dos equipamentos nas fardas da corporação, uma reação direta às declarações dadas no dia anterior por Wilder Morais (PL), candidato ao Governo de Goiás.
Sem citar expressamente o nome do senador do PL, Caiado subiu o tom do discurso e reeditou o estilo enfático que marca sua atuação na área de segurança pública:
“Botar câmera nos policiais? Ah, rapaz! Deixa de ser frouxo! Polícia nossa é pra dar segurança pro nosso povo do estado de Goiás. Aqui é pra manter a ordem. Aqui não é bandido que vai mandar em Goiás, não. Aqui não é estado de frouxidão, não. Aqui é na lei, é na ordem, é no respeito ao cidadão, é no respeito ao dinheiro público”, declarou Caiado sob aplausos de apoiadores.
A fagulha para a reação de Caiado ocorreu na segunda-feira, durante entrevista de Wilder Morais à Rádio Sucesso (com repercussão também no jornal O Popular).
Questionado sobre a implantação das câmeras, o candidato do PL afirmou que não descartava a ideia de imediato e que pretendia discutir o tema nos primeiros 100 dias de um eventual mandato, ouvindo a Corregedoria da PM e a própria tropa.
Ao admitir qualquer margem para a avaliação dessa medida, Wilder Morais acabou por adotar uma postura que vai na contramão do sentimento da grande maioria do povo goiano e das próprias forças de segurança do estado.
Em Goiás, onde o modelo de policiamento ostensivo e de combate firme à criminalidade conta com amplo apoio popular, a simples hipótese de monitorar a farda dos agentes é encarada pela tropa e pela sociedade como uma afronta e um retrocesso na área de segurança pública.
Nas corporações, a rejeição ao equipamento é praticamente unânime. Policiais e especialistas apontam que o uso de câmeras corporais serve mais para constranger, vigiar e incriminar o policial em situações de confronto armado do que para protegê-lo.
No dinamismo de uma ocorrência de alto risco, em que o agente precisa tomar decisões de vida ou morte em frações de segundo contra criminosos armados, a presença de uma gravação constante inibe a ação policial, gera hesitação na hora de agir e expõe o servidor a questionamentos jurídicos injustos que beneficiam apenas a criminalidade.
A hesitação de Wilder Morais sobre a pauta escancarou um desalinhamento direto com os anseios da população de Goiás e com a realidade das ruas.
Ao tentar adotar uma postura neutra diante de um tema tão sensível, o candidato do PL acabou isolado, demonstrando falta de firmeza para defender a Polícia Militar e abrindo uma crise política que só reforça o desgaste de sua imagem perante a tropa e o eleitorado goiano.
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