“Aceita que dói menos” é um bordão criado por José Roberto Arruda para ironizar adversários e eleitores nas disputas pelo Palácio do Buriti. Agora, porém, a frase parece ter encontrado endereço certo: a própria carapuça do ex-governador.
Com o registro de candidatura indeferido pelo TRE-DF, Arruda recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O prazo para substituição de candidatos terminou ontem (14), mas o ex-governador decidiu esticar a corda até o limite, mantendo-se na disputa como candidato sub judice.
Luiz Pitiman, vice na chapa, aguardava uma definição que não veio.
O dilema lembra o vivido por Jofran Frejat, vice de Arruda em 2014. Naquele episódio, a demora na substituição acabou contribuindo para a derrota da chapa para Rodrigo Rollemberg.
À época, Arruda chegou a ser acusado por Frejat de ter facilitado a vitória de Rollemberg, que posteriormente seria lembrado como responsável por um dos governos mais criticados da história recente de Brasília.
Agora, o problema volta a dividir o PSD. Nos bastidores, a cúpula estaria rachada entre os que defendem uma solução imediata e os que apostam na permanência de Arruda até o último recurso.
O cálculo político seria manter o nome vivo para “negociar” o eventual apoio político.
Entre as possibilidades, estaria uma aproximação com o PT, que tem como candidato ao governo Leandro Grass, que não consegue crescer nas pesquisas.
No entanto, o jogo de Arruda não interessa para a maioria dos candidatos do PSD e do coligado Avante, e muito menos para grande parte de seus apoiadores. A debandada é geral.
No fim, o “aceita que dói menos” parece servir, mais uma vez, ao próprio Arruda.
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