Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Chapapuda de Arruda e Gim entra na contagem regressiva da incerteza

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A convenção conjunta do PSD e do Avante, realizada na tarde deste sábado (1º), terminou com muito entusiasmo no palanque, mas com inúmeras interrogações nos bastidores.

A chapa majoritária saiu sem candidato a vice-governador e sem um nome oficialmente definido para disputar o Senado.

O pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, o inelegível José Roberto Arruda, ainda não sabe como o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) reagirá ao seu pedido de registro de candidatura.

Vale destacar que a convenção partidária, por si só, não torna alguém candidato oficialmente.

A candidatura somente passa a existir juridicamente após o pedido de registro ser protocolado na Justiça Eleitoral e, posteriormente, analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso da Presidência da República, ou pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), nos demais cargos.

Enquanto o registro estiver pendente de julgamento, o candidato pode, em regra, realizar atos de campanha, condicionados ao posterior deferimento do registro.

O evento contou com a presença de Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, e do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

O cenário político está longe de ser confortável para os dois partidos.

“Chapapuda” é como foi batizada, por adversários, a aliança entre PSD e Avante. O apelido resulta da junção das palavras “chapa” e “Papuda”, presídio por onde passaram Gim Argello, preso por corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de investigações, e José Roberto Arruda, preso na Operação Caixa de Pandora.

A “Chapapuda” tem até as 19 horas do dia 15 de agosto para registrar oficialmente sua composição. É justamente nesse período que a disputa interna tende a ganhar contornos ainda mais dramáticos.

Na última terça-feira (28), Arruda bateu de frente com Jorginho, filho de Gim Argello, que reivindicou a vaga de vice-governador. A resposta foi imediata: Arruda teria afirmado que não aceitaria uma “barriga de aluguel”.

Ao mesmo tempo, Arruda pressionou Paulo Octávio para definir, de uma vez por todas, se disputará uma vaga ao Senado.

O empresário, contudo, parece hesitar diante da possibilidade de a candidatura de Arruda ser barrada pelo TRE-DF em razão de seu extenso histórico de processos, incluindo condenações proferidas por órgãos colegiados.

Como se não bastassem as dificuldades da chapa majoritária, as chapas proporcionais também enfrentam turbulências.

Antes mesmo da homologação das candidaturas, pré-candidatos já deixaram o Avante após relatarem terem sido humilhados por serem considerados sem potencial eleitoral.

Cris Brasil acusou Gim Argello de tê-la enganado até o último instante, quando já não havia mais tempo para que ela se filiasse a outro partido.

O bloco dos descontentes promete recorrer ao TRE-DF e ameaça divulgar, nas redes sociais, vídeos que consideram comprometedores e que, segundo eles, envolveriam negociações espúrias conduzidas por Gim Argello.

Se a convenção marcou o início oficial da caminhada eleitoral do inelegível José Roberto Arruda, os próximos 15 dias poderão definir não apenas o futuro da “Chapapuda”, mas também sua própria sobrevivência política.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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