A tradicional Caminhada pela Paz do Gama chegou à sua 26ª edição, ocorrida no último sábado (20), carregando o simbolismo que a transformou em uma das mais importantes manifestações comunitárias da cidade.
Criada para reunir famílias, lideranças e cidadãos em torno de valores como solidariedade, respeito e convivência pacífica, a iniciativa sempre representou um espaço de união acima das diferenças.
No entanto, o que deveria ser um encontro voltado exclusivamente à promoção de valores humanitários acabou contaminado por candidatos políticos, ávidos por votos, que causaram desconforto entre participantes e membros da própria comunidade rotária.
O ponto de preocupação surge quando um evento institucional passa a oferecer visibilidade privilegiada, espaço para discursos que possam ser interpretados como promoção eleitoral.
O Rotary International mantém, há mais de um século, uma posição clara e inegociável sobre o tema: a instituição é apartidária.
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Seus regulamentos proíbem o endosso de candidatos, a utilização de suas marcas e suas ações para fins políticos e qualquer manifestação que possa comprometer sua neutralidade.
Não se trata apenas de uma recomendação de convivência harmoniosa, mas de um princípio fundamental para preservar a credibilidade da organização.
Ela está presente em mais de 200 países ao redor do mundo e conta com mais de 1,4 milhão de membros atuando em dezenas de milhares de clubes espalhados por todos os continentes.
Quando um clube abre espaço para manifestações de caráter político-partidário em um evento oficial, ainda que de forma indireta, corre o risco de comprometer justamente aquilo que lhe dá força: a capacidade de reunir pessoas com diferentes visões ideológicas em torno de causas comuns.
A reação do governador eleito do Distrito 4.530, André Moura, ao anunciar uma orientação formal aos clubes sob sua jurisdição, que abrange Tocantins, Goiás e o Distrito Federal, tem como objetivo preservar as ações comunitárias do movimento rotário.
Isso evita que iniciativas futuras sejam envolvidas em disputas eleitorais alheias aos princípios e às causas defendidas pela instituição.
Quando causas humanitárias dividem espaço com interesses eleitorais, o risco é que a mensagem principal se perca. Tem até político que diz ter criado a lei da Caminhada da Paz.
Saiba um pouco dessa história:
A Caminhada da Paz do Gama é uma das manifestações rotária mais tradicionais do Distrito Federal.
Quem organizou?
O evento foi idealizado e é organizado anualmente pelo Rotary Club do Gama, em parceria com a Casa da Amizade do Gama, o Rotaract e o apoio da Administração Regional e de voluntários da comunidade.
A importância e o impacto do evento foram tão grandes ao longo dos anos que ele passou a integrar oficialmente o calendário de eventos do Distrito Federal, por meio da Lei nº 4.708/2011.
Em que ano ocorreu a primeira caminhada?
A primeira edição da Caminhada da Paz do Gama aconteceu no ano de 1994. O evento nasceu com o propósito de promover a cultura da não violência e celebrar o Dia da Paz e da Compreensão Mundial, que foi instituído globalmente pelo Rotary International para relembrar a sua própria fundação, ocorrida em fevereiro de 1905.
A caminhada surgiu como uma resposta direta e um apelo da sociedade civil contra o aumento da criminalidade na época.
Ao longo das décadas, o motivo central se expandiu e transformou o evento em um grande manifesto público anual.
Hoje, além do pedido de paz, a marcha atua fortemente no combate a causas sociais urgentes, como:
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O preconceito racial e a homofobia;
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A violência doméstica e o feminicídio;
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O uso de drogas e a violência envolvendo a juventude;
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O estímulo à solidariedade e à inclusão social.



