Se alguém ainda tinha dúvida sobre a força política da governadora Celina Leão na corrida pela reeleição, basta observar o comportamento dos partidos aliados.
Todas as pesquisas divulgadas até agora apontam a governadora na liderança dos cenários para o Governo do Distrito Federal.
O resultado prático disso é simples: enquanto os adversários tentam encontrar um rumo, a fila dos pretendentes à vaga de vice cresce a cada semana.
A fila dobra a esquina do Palácio do Buriti.
A disputa pelo posto não é mero detalhe eleitoral. Pelo contrário. Trata-se, talvez, da decisão mais estratégica de toda a campanha.
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Como costuma acontecer em cenários de vitória quase certa, todos querem estar no barco.
Mas a decisão cabe a Celina. E ela sabe que não se trata de escolher um mero figurante. O vice não será apenas um nome para completar a chapa.
Será o gestor que, muito provavelmente, assumirá o comando do GDF nos últimos nove meses do mandato, quando Celina precisará se desincompatibilizar para disputar uma cadeira no Senado, em 2030.
Em outras palavras: a escolha do vice é quase a escolha do futuro governador interino. Por isso, a definição deixou de ser apenas partidária e passou a ser uma questão de sucessão política.
Até pouco tempo, o nome indicado pelo Republicanos parecia uma consequência natural do amplo arco de alianças que sustenta o governo. O problema agora surgiu no nome.
Gustavo Rocha é uma indicação respaldada pelo ex-governador Ibaneis Rocha. Gustavo foi chefe da Casa Civil e homem de confiança de Ibaneis.
No entanto, essa certeza ruiu no exato momento em que o ex-governador resolveu externar publicamente um “racha” na aliança com Celina. O jogo de Ibaneis, contudo, foi errado.
Hoje, o ex-governador pode até levar o MDB para uma aventura eleitoral própria, mas dificilmente carregará consigo toda a base emedebista construída ao longo dos últimos anos.
Nomes como os deputados distritais Wellington Luiz, Jaqueline Silva, Iolando e Daniel Donizete têm os pés muito bem fincados na realidade prática da política local.
Todos eles mantêm estruturas robustas e cargos ocupados por apoiadores no atual governo, vitais para suas respectivas reeleições.
Nenhum deles parece disposto a saltar do barco comandado por Celina por uma aventura puramente ‘ibanezista’.
A maior prova da dubiedade emedebista atende pelo nome de Rafael Prudente.
O deputado federal vive um dilema que se equilibra entre a conveniência e a sobrevivência política.
Ele é pressionado por Ibaneis e pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, para capitanear uma candidatura própria ou se aliar como vice do inelegível José Roberto Arruda (PSD).
Atarantado pela dúvida, com um pé no norte e outro no sul, Prudente ora diz que está com Celina, ora afirma estar com a cúpula do partido que acena para a oposição.
No fundo, ele sabe bem o tamanho dos espaços e contratos no GDF que colocaria em risco ao trocar o certo pelo duvidoso.
Enquanto isso, uma nova narrativa começa a circular nos bastidores: a possibilidade de Wellington Luiz aparecer como vice de Celina.
A movimentação causa estranheza porque a própria governadora tem repetido que a vaga pertence ao Republicanos.
Se essa premissa for mantida, caberá ao partido apresentar o nome. Entre os mais citados estaria o deputado federal Fred Linhares, segundo fontes de bastidores.
A verdade é que, faltando poucas semanas para as convenções partidárias, a disputa pela vice-governadoria tornou-se o jogo mais importante da política brasiliense.
E quanto mais Celina se mantém em céu de brigadeiro, mais valorizada fica a cadeira que estará ao seu lado na chapa.



