Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Esquerda moribunda do DF racha, insiste nos erros e caminha ao fracasso

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As declarações desesperadoras de Ricardo Cappelli, pré-candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PSB, feitas durante um evento promovido por partidos de esquerda, vão além de um simples alerta.

Elas revelaram uma profunda preocupação com o quadro de inanição da moribunda esquerda local.

Ao admitir publicamente que o campo progressista está desunido e corre sério risco de perder novamente a eleição, Cappelli vocaliza um sentimento que há tempos circula nos bastidores, mas que só agora  gente da própria esquerda reconhece de forma tão direta.

No vídeo que ele Cappelli colou no Instagram, dá pra ver a expressão de Geraldo Magela e Erika Kokay, ambos do PT, como se estivessem levando um pito.

A cada dia que se aproxima a disputa pelo Palácio do Buriti, o PT brasiliense parece mais condenado a um papel secundário, como em 2014, 2018 e 2022.

O histórico desnuda essa percepção incômoda. A última vitória do PT no Distrito Federal ocorreu em 2010, com Agnelo Queiroz, um governo mergulhado na corrupção, que sequer conseguiu se reeleger.

Já o PSB governou até 2018 com Rodrigo Rollemberg, o pior governador da história do DF, sendo derrotado por um então pouco conhecido Ibaneis Rocha, do MDB.

Desde então, o chamado campo progressista segue fora do poder e, pior, sem um projeto consistente de retomada. A esquerda ficou velha e a militância perdeu os dentes.

O diagnóstico de Cappelli é correto, mas chega tarde e sem tempo para uma disputa que está a sete meses do pleito eleitoral.

No  PT, as “correntes” tradicionais, que se julgam donas absolutas do partido, ignoram o sem-grupo e ex-PV Leandro Grass, que chegou na legenda empurrado de goela abaixo.

As antigas bandeiras já não mobilizam como antes. Nos últimos dez anos, a grande maioria da militância bandeou de lado em busca de novos horizontes.

O discurso surrado em defesa das minorias perdeu força diante de uma população mais crítica e menos suscetível a narrativas repetidas.

Na disputa de 2022, a esquerda caiu de joelhos no primeiro turno, que reelegeu Ibaneis Rocha.

No início do ano seguinte, o PT e o PSB acreditavam que o episódio de “8 de janeiro” poderia sustentar um discurso político duradouro no DF até estas eleições deste ano. Não deu. O tema perdeu tração e saiu do centro da pauta local.

Agora, a esquerda tenta explorar o caso envolvendo o BRB e o Banco Master, mas com um silêncio seletivo e pisando em ovos diante das conexões de Daniel Vorcaro com o governo Lula.

É como o desesperado Cappelli admite: a esquerda brasiliense parece, mais uma vez, caminhar para a morte eleitoral.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

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