A crise política que devora a inelegível candidatura de José Roberto Arruda expõe o que há de pior na política brasiliense: uma briga de foice no escuro entre PRD, Avante e PSD, os três partidos que formam a frágil aliança de apoio ao ex-governador.
Longe de unidade, o que se vê é ambição desenfreada e traições veladas, com a nominata do Avante no centro do furacão.
Daniel Radar, coordenador de nominatas do Avante, denuncia abertamente que Marco Vicenzo, do PRD, partido controlado por Lucas Kontoyanis, estaria “plantando notícias falsas” que visam enfraquecer a legenda e desestimular pré-candidatos a permanecerem filiados para a disputa de 2026.
Vicenzo, descrito pelos adversários como “o pitbull de coleira de Lucas”, surge como peça de manobra, talvez aspirante a ser vice de Arruda pelo PRD, enquanto o verdadeiro interesse estaria com Kontoyanis.
Para tentar apaziguar os ânimos entre seus filiados e tentar manter de pé a nominata, o deputado federal Luis Tibé (MG) deve visitar o diretório do Avante no DF nos próximos dias.
Daniel Radar afirmou que o partido tem sido alvo de desinformação sobre finanças e prestação de contas ao TSE.
Segundo ele, a falta de prestação de contas por gestões anteriores barrou o acesso ao fundo partidário, mas o diretório local segue ativo, com novas filiações e uma nominata sólida, construída sem intermediários ou acordos obscuros.
Sem citar nomes de quem supostamente estaria por trás da manobra, disse: “Isso, inevitavelmente, gerou desconforto em alguns setores que costumam operar nos bastidores da política local por interesse próprio.
Ele esclareceu que muitos partidos menores, como o PRD, enfrentam pendências semelhantes.
“O Avante possui alternativas para financiar campanhas e já ajustou os dados contábeis remanescentes junto ao TRE, aguardando deliberação favorável”.
Daniel disse que uma nota oficial virá em breve, reafirmando o compromisso do partido com a política limpa.
Em uma leitura externa dessa briga, o resultado da tentativa de implosão foi uma desagregação total: Lucas Kontoyanis (PRD), Arruda (PSD) e Gim Argelo (Avante) romperam pontes.
Arruda segue no PSD sem nominata competitiva para eleger distritais e, principalmente, deputados federais, uma exigência feita ao inelegível pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab.
O PRD, após federalizar-se com o Solidariedade, fez Lucas Kontoyanis perder o controle total das candidaturas.
Pode apresentar apenas 50%, enquanto a outra metade fica com o Solidariedade, controlado por Reguffe.
Isso explica, segundo o que disse Daniel, a cobiça desesperada pela nominata do Avante.
É a velha tática: dividir para conquistar. Essa trama podre revela o quanto a candidatura do inelegível Arruda tem mais interessados que querem ver a sua ruína do que lealdade real. Arruda e seus aliados cavam a própria sepultura.



