O Instituto Veritá divulgou, nesta quinta-feira (19), pesquisa de opinião pública registrada no TSE sob o número DF 00559/2026, sobre as Eleições 2026 no Distrito Federal, com amostra de 1.221 entrevistas, margem de erro de 3 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
O relatório apresenta, no entanto, inconsistências metodológicas e conceituais que merecem exame atento, uma vez que podem comprometer a credibilidade dos resultados e influenciar a percepção da disputa eleitoral pelos eleitores e pelos próprios candidatos.
Dois tipos principais de problemas foram identificados ao longo do documento de 62 páginas. Em primeiro lugar, há discrepâncias nas somas das frequências absolutas.
A amostra total declarada é de 1.221 entrevistas. No perfil metodológico (página 3), a soma das faixas etárias resulta em 1.220 e a da renda familiar em 1.222.
Na pergunta 3, que registra a intenção de voto estimulada para governador, os votos nos candidatos somam 1.076, embora a tabela indique “Total Válido = 1.077”.
Na pergunta 5, sobre rejeição máxima (“não votaria de jeito nenhum”), a soma dos casos válidos chega a 1.054, contra 1.055 declarados.
Essas diferenças de ±1, embora pequenas, repetem-se em tabelas centrais e alteram a base de cálculo dos percentuais válidos.
O relatório menciona “filtros de consistência” e auditoria de 20% das entrevistas, o que torna essas falhas dignas de nota.
Em segundo lugar, o documento apresenta erro conceitual relevante nas perguntas 18, 19 e 20. Nesses itens, o texto refere-se repetidamente a “Deputado Estadual”, “Deputados Estaduais” e “Assembleia Legislativa do Distrito Federal”.
O DF não é unidade da federação equiparada aos estados e não possui Assembleia Legislativa. Há uma Câmara Legislativa, assim como deputados distritais.
Essas questões técnicas não invalidam automaticamente todos os números, mas geram dúvidas e desconfianças sobre o rigor do processo de revisão e controle de qualidade.
Em uma pesquisa eleitoral, os eleitores tendem a considerar os dados como referência confiável. Os dados divulgados circulam em grupos de WhatsApp, manchetes de sites e lives políticas como se fossem ouro.
Vai acreditar ainda que os dados são confiáveis porque vêm de um “instituto de pesquisa”. Vai ajustar estratégias de campanha, doações, alianças e até o próprio voto com base em números que, tecnicamente, não fecham e que tratam o DF como se fosse um estado.
A pesquisa tem dados falhos, contamina o processo e altera a narrativa da disputa. Fortalece ou enfraquece candidatos indevidamente e induz o eleitor a erro, exatamente o contrário do que a lei e a ética exigem de quem se propõe a medir opinião pública.
O Instituto Veritá que gastou do proprio bolso quase 100 mil reais pelo levantamento, ainda não se manifestou publicamente sobre possíveis correções ou erratas.
O Radar DF solicitou manifestação do instituto sobre esses pontos antes da publicação dessa matéria. O espaço continua reservado.
Em ano eleitoral, a clareza e a exatidão dos institutos de pesquisa ajudam a melhorar a qualidade do debate democrático.
Assim, é imprescindível que a Justiça Eleitoral, responsável por garantir a integridade do processo, redobre sua atenção e realize autoverificações antes de registrar fajutices.



