A morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, ocorrida neste sábado (17), após mais de duas semanas internado em estado gravíssimo, chocou a capital.
O desfecho trágico expôs de forma brutal uma realidade que Brasília insiste em ignorar: a escalada da violência entre jovens de classe média e alta, muitas vezes blindada pela impunidade e pela complacência familiar.
Rodrigo não resistiu às graves lesões sofridas após ser agredido pelo ex-piloto de Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, no dia 23 de janeiro.
O adolescente sofreu traumatismo craniano e hemorragia cerebral depois de bater a cabeça na porta de um carro durante os socos.
Permaneceu 16 dias em coma induzido na UTI do Hospital Brasília até a confirmação do óbito.
O caso, porém, não se resume a um episódio isolado. Turra já acumulava um histórico preocupante de violência.
Apuração do Radar DF indica ao menos quatro ocorrências registradas na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ao longo de 2025,três por agressões físicas e uma por fornecimento de bebida alcoólica a menor de idade.
Entre os episódios investigados estão uma briga em praça pública em Águas Claras, uma colisão intencional de veículos seguida de agressão em um conflito de trânsito, além de constrangimento ilegal.
Muitos desses registros só vieram a público após a repercussão da agressão contra Rodrigo, reforçando a percepção de um padrão de impunidade.
Denúncias arquivadas ou resolvidas sem consequências efetivas levantam suspeitas sobre a influência familiar e a falta de respostas firmes do sistema.
Inicialmente, a agressão foi atribuída a uma discussão banal. No entanto, a 38ª Delegacia de Polícia, em Vicente Pires, descartou essa versão.
As investigações apontam para uma motivação mais grave, possivelmente ligada a ciúmes envolvendo uma ex-namorada de um amigo de Turra ou a um acerto de contas anterior entre os jovens.
Com a morte de Rodrigo, o inquérito, que tramitava em segredo de Justiça, deverá ser reclassificado.
A apuração pode evoluir de lesão corporal gravíssima para lesão seguida de morte ou homicídio doloso, caso fique comprovado o dolo eventual, quando o agressor assume o risco de matar.
O episódio lança luz sobre um fenômeno mais amplo. No Distrito Federal, jovens entre 15 e 29 anos figuram entre as principais vítimas da violência.
Dados oficiais mostram que essa faixa etária representa metade dos homicídios registrados na capital, muitos deles decorrentes de conflitos interpessoais banais que escalam rapidamente.
A complacência familiar e a sensação de impunidade entre elites, tragédias como a de Rodrigo tendem a se repetir, deixando marcas profundas na capital do país.



