O pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), protocolado recentemente por partidos de oposição na Câmara Legislativa, como PT, PV, PCdoB, Rede e PDT, nasce velho e sem propósito.
A iniciativa tem menos de denúncia e muito mais de encenação. Trata-se de um típico “oba, oba” político.
Protagonizado por velhos conhecidos da esquerda que, sem prestígio e sem voto, insistem em reaparecer no noticiário na esperança de recuperar a relevância perdida na política do Distrito Federal.
O alvo da ofensiva é um governador com data marcada para deixar o cargo. Ibaneis Rocha deixará o Palácio do Buriti em 58 dias para cumprir rigorosamente a legislação eleitoral e disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano.
Ainda assim, a oposição finge ignorar o calendário e aposta no barulho como estratégia.
Curiosamente, o movimento é capitaneado por três dos ex-governadores mais mal avaliados da história do DF: Rollemberg (PSB), Agnelo Queiroz (PT) e Cristovam Buarque (Cidadania), que reaparecem como paladinos da moralidade.
Senão vejamos:
- Foi do governo Rollemberg que todos os diretores do BRB saíram algemados pela Operação Circus Maximus, deflagrada pela Polícia Federal no início de 2019.
- Foi no governo Agnelo que o Mané Garrincha se tornou o maior esgoto de corrupção do governo petista. Erguido para a Copa de 2014, consumiu cerca de R$ 1,8 bilhão, valor muito acima do previsto, cercado por denúncias de superfaturamento, fraudes e pagamento de propinas. Agnelo foi preso por causa disso.
- Foi o governo do então petista Cristovam Buarque (1995-1998) que o DF registrou o maior massacre contra os direitos humanos com assassinato de indefesos moradores da Estrutural O episódio conhecido como “Massacre da Estrutural” até hoje carregas seus órfãos, símbolos de resistência de uma cidade.
Ibaneis Rocha deixará o cargo não por pressão de velhacos em fim de carreira, mas por imposição clara da legislação eleitoral.
A lei é clara: governadores em fim de segundo mandato que desejam concorrer ao Senado devem renunciar ao cargo com antecedência. Ponto final.
Com a saída prevista no inicio de abril, a vice-governadora Celina Leão (PP), líder nas pesquisas, assumirá automaticamente o comando do governo.
Diante desse cenário, a pergunta se impõe: impeachment para quê? Em ensaio que nasce morto.
A iniciativa nasce sem objeto, sem efeito prático e com cheiro evidente de palanque eleitoral, um espetáculo fraco e irrelevante.
No mérito, o pedido também patina. Não há fato concreto que comprove qualquer envolvimento de Ibaneis Rocha nas supostas fraudes alegadas do Banco Máster.
A tentativa de criar vínculo entre Ibaneis e o banqueiro picareta Daniel Vorcaro, a partir de um encontro, é frágil e seletiva.
Os mesmo que apontam o dedo para a planície, não apontam para o Planalto.
Pelo mesmo raciocínio, teria igual peso o encontro reservado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um banqueiro, a portas fechadas, no gabinete da Presidência e fora da agenda oficial.
Um episódio que a esquerda brasiliense ignora e tenta varrer para debaixo do tapete fazendo cara de paisagem.
Sem base jurídica e sem qualquer chance de prosperar no tempo que resta, o pedido de impeachment não passa de uma peça de ficção política.
A explicação é simples: o medo das urnas. Diante de um cenário eleitoral adverso, o desespero substituiu o debate e a falsa narrativa ptenta a ocupar o lugar dos fatos.
Com cerca de 63% de aprovação, Ibaneis encerra quase oito anos de mandato à frente de um dos governos mais bem avaliados da história do Distrito Federal.
Do outro lado, a oposição coleciona derrotas há mais de uma década, além de rejeição e falta de nomes competitivos. Aponte um?
O que chamam de principais expoentes são figuras desgastadas. São como mercadoria vencida e cada vez mais indigestas ao eleitorado.
Por fim, o tal pedido de impeachment não passa de estória pra boi dormir.



