Radar Político/Opinião DIREITO DE RESPOSTA

Radar Político/Opinião Por Toni Duarte Por dentro dos bastidores da política brasiliense.

O ASSUNTO É

Ganhou, mas não levou. Rollemberg terá que esperar para assumir mandato

Publicado em

Rodrigo Rollemberg (PSB) deu cambalhotas de alegria no último dia 13, ao acompanhar a decisão do Supremo Tribunal Federal que destituiu do mandato sete deputados federais, entre eles Gilvan Máximo (Republicanos-DF), cuja vaga o ex-governador do DF cobiça para si.

A revisão das regras de distribuição de cadeiras na Câmara pelo STF vai desalojar esses parlamentares, abrindo espaço para substitutos que se encaixem na nova interpretação da Corte.

A Câmara, porém, tenta ganhar tempo e pediu ao Supremo que a decisão só seja executada após a publicação do acórdão com trânsito em julgado, alegando preocupação com a segurança jurídica.

Quando todo o processo estiver concluído, o Tribunal Superior Eleitoral divulgará a lista dos novos deputados empossados e notificará a Câmara.

Enquanto isso, Rollemberg, que já teria comprado a picanha para o churrasco, acreditando que assumiria no dia seguinte da decisão, terá de esperar meses e mais meses para sentar na cadeira de Gilvan.

A pressa do ex-governador esbarra na burocracia e na lentidão deliberada do processo.

O trâmite na Câmara começa com a notificação dos sete deputados, uma tarefa nada fácil que deve se arrastar ao máximo.

A Corregedoria, responsável por processos que podem levar à perda de mandato ou direitos políticos, adota a notificação pessoal, um método que transforma a busca pelos parlamentares numa caçada digna de novela.

Isto porque, quase sempre, o notificador nunca encontra o notificante nem no gabinete e nem no plenário.

O corregedor Domingos Netos (PSD-CE) tem 15 dias para apresentar seu parecer à Mesa Diretora, mas daí em diante o jogo de protelação continua: alguém pede vista do processo por quatro ou cinco meses, enquanto os advogados dos deputados despejam recursos na Justiça, que serão analisados pelo ministro Flávio Dino, ex-PSB, mesmo partido de Rollemberg.

E, claro, logo surge outro ministro pedindo vista, empurrando tudo na maior maciota.

No centro desse cabo de guerra está Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, que, mal assumiu o cargo, pressionou o STF a julgar o caso das sobras eleitorais.

Não por coincidência, quatro dos sete deputados afetados são do Amapá, todos são adversários políticos dele.

A insistência de Alcolumbre acelerou a decisão do Supremo, uma deferência ao senador que está sentado em cima de mais de 60 pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e outros ministros da Corte.

Cerca de 16 pedidos são contra Luís Roberto Barroso, atual presidente do STF, acumulados no Senado desde 2021.

Ninguém duvida de que Rollemberg acabará tomando a vaga de Gilvan Máximo.

Mas, mesmo com o empurrão de Alcolumbre, Moraes e Flávio Dino, o ex-governador pode amargar um 2025 inteiro vendo o mandato escorregar entre os dedos, preso na teia de manobras e atrasos.

O churrasco de Rollemberg, o pior governador da história do DF, por enquanto, esfria na chapa.

*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF

Siga o perfil do Radar DF no Instagram
Receba notícias do Radar DF no seu  WhatsApp e fique por dentro de tudo! Entrar no grupo

Siga ainda o #RadarDF no Twitter

Receba as notícias de seu interese no WhatsApp.

spot_img

Leia também

Unidades do SLU já recuperaram 4,2 mil toneladas de recicláveis em 2026

Nas usinas de tratamento mecânico biológico (UTMBs) do Distrito Federal, parte dos resíduos ganha uma...

Mais Radar

Desprezo pela rica cultura mantém Maranhão preso à extrema pobreza

O ativista cultural Herbert de Jesus Santos reage ao abandono do patrimônio cultural e turístico de São Luís e cobra respeito à história, aos artistas e às tradições que poderiam transformar a cultura em desenvolvimento e oportunidades.

Briga com Michelle explode e deixa Flávio Bolsonaro sem vice mulher

Racha entre Flávio e Michelle Bolsonaro mexe com a campanha: após vídeo em que ex-primeira-dama relata maltrato, a senadora Tereza Cristina teria recuado e ficado sem interesse na vice de Flávio à Presidência.

A sobrevivência do PSB no DF e a tentativa de reeleger Rollemberg

O PSB do DF aposta em uma estratégia para manter Rodrigo Rollemberg na Câmara. A candidatura ao Buriti do "bocudo"  Ricardo Cappelli aparece como um palanque itinerante e para-choque de quem conseguiu ser o pior governador da história do DF.

Mexeu com uma, mexeu com todas: a força unida de Michelle, Celina e Damares

Michelle, Celina e Damares selam pacto estratégico no DF. Para além do slogan "mexeu com uma, mexeu com todas", a união dessas três líderes redesenha a força feminina da direita conservadora no cenário local e nacional.

A inelegibilidade imposta pela Justiça que ainda dói no lombo de Arruda

Arruda voltou a criticar quem o chama de inelegível. Mas decisões da Justiça seguem sustentando sua situação jurídica. Bloquear jornalistas não muda os fatos nem apaga o peso da própria história.
- PUBLICIDADE -

Últimas do Radar Político